O Governo, por intermédio da Autoridade Reguladora de Energia, decidiu reduzir entre dois e seis meticais os preços dos combustíveis e do gás de cozinha a nível nacional, numa medida que visa aliviar o custo de vida dos moçambicanos. No entanto, diversos extractos da sociedade ouvidos pela nossa equipa de reportagem na província de Inhambane manifestaram opiniões divergentes quanto a esta decisão: uns consideram-na positiva e bem-vinda, enquanto outros entendem que o desconto é insuficiente e está aquém das suas expectativas.
Texto: Anastácio Chirrute, em Inhambane
A crise política vivida em Moçambique, na sequência das últimas eleições gerais, realizadas a 9 de Outubro de 2024, teve um impacto negativo no sector dos combustíveis, agravado pela alegada escassez de divisas. Como consequência, o gasóleo tornou-se num produto escasso nos principais postos de abastecimento do país, incluindo na província de Inhambane.
Preocupado com a situação, o actual Governo, liderado por Daniel Francisco Chapo, empenhou-se na procura de soluções que culminaram na redução dos preços dos combustíveis no passado dia 18 de Junho do corrente ano. Por exemplo, o gasóleo, que anteriormente era vendido a 86,79 meticais por litro, passou a custar 79,88 meticais, o que representa uma redução de cerca de seis meticais. Já a gasolina baixou de 85,82 para 83,57 meticais por litro, o que corresponde a um desconto de quase dois meticais.
Apesar disso, as opiniões continuam divididas. Alberto da Alzira, condutor residente na cidade da Maxixe, integra o grupo de cidadãos insatisfeitos com os novos preços. Segundo ele, o Governo podia ter feito mais. A sua viatura utiliza gasolina, e com o preço actual de 83,57 meticais por litro, o desconto é, em sua opinião, insignificante.
“Não faz sentido que o Governo tenha levado tanto tempo para reduzir apenas dois meticais no preço da gasolina e seis no do gasóleo. Custaria baixar um pouco mais? Veja que em países como a África do Sul e o Malawi o mesmo combustível é vendido a preços mais acessíveis. Por que razão, em Moçambique, o produto continua caro? Eu, particularmente, esperava que a gasolina baixasse para 60 meticais, ou, no máximo, 70”, lamenta.
Reginaldo Vilanculos, residente no distrito de Massinga, também discorda da medida. Com o fim das manifestações violentas em Março último, tinha esperança de ver reduções mais expressivas no preço dos combustíveis, como forma de reconhecimento do esforço do povo moçambicano.
“Depois da situação difícil provocada pelas manifestações, o Governo devia, no mínimo, ter reduzido ainda mais os preços. Nós, moçambicanos, merecemos mais. Dois meticais não mudam quase nada. Para abastecer a viatura, continuo a precisar de quase mil meticais. Esse valor ainda é demasiado elevado, e continuaremos a usar os carros apenas quando recebermos o salário no final do mês”, afirmou.
Por outro lado, há quem acolha a medida com optimismo. Elton da Conceição, automobilista que faz diariamente o trajecto Maxixe – Vilanculos e vice-versa, mostra-se satisfeito com os novos preços anunciados.
“Pelo menos, é um passo significativo dado pelo nosso Governo. Vamos aguardar pelos próximos dias; talvez ainda melhore algo. Esses dois meticais que o Governo reduziu fazem diferença no nosso bolso”, considera.
Para além do gasóleo e da gasolina, a Autoridade Reguladora de Energia anunciou igualmente a redução do preço do gás natural veicular e do petróleo de iluminação. O gás baixou de 43,40 meticais para 41,11 meticais por litro, o que representa um desconto de 2,29 meticais, enquanto o petróleo passou a custar 66,86 meticais por litro, contra os anteriores 69,35 meticais.




