Moçambique prepara-se para acolher, de 12 a 14 de Novembro, em Maputo, a XX Conferência Anual do Sector Privado (CASP), considerada por “O Económico” como um dos mais importantes fóruns de concertação económica do país. O evento, promovido pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), promete reunir Governo, empresários, investidores e parceiros internacionais com um objectivo comum: redesenhar o ambiente de negócios e reforçar a competitividade da economia nacional.
Texto: Dossiers & Factos
Sob o lema “Reformar para Competir: Caminhando para o Relançamento Económico”, a edição deste ano contará com mais de 2.000 participantes, 25 expositores e 40 oradores nacionais e estrangeiros, num momento em que o país tenta consolidar a recuperação económica após anos de choques internos e externos — desde crises cambiais e logísticas a calamidades naturais e instabilidade social.
Segundo “O Económico”, esta conferência não será apenas mais uma edição de um encontro anual, mas um espaço de viragem no diálogo público-privado, ao assinalar 20 anos de concertação institucionalizada entre o Estado e o sector empresarial.
Durante a recente sessão do Conselho de Monitoria do Ambiente de Negócios, o ministro da Economia e Finanças, Basílio Muhate, reiterou o empenho do Executivo em aprofundar as reformas estruturais, com destaque para a simplificação dos procedimentos administrativos, digitalização de processos e revisão dos códigos tributários. Estas medidas, sublinhou o governante, “são essenciais para garantir transparência, previsibilidade e confiança aos investidores”.
Entre as prioridades destacadas por Muhate, contam-se ainda a melhoria da eficiência aduaneira, a criação de balcões únicos digitais e o reforço do acesso ao crédito através de instrumentos como o Fundo de Garantia Mutuária, fundamentais para dinamizar o investimento directo e reduzir o peso da burocracia sobre o tecido empresarial.
A CTA, por seu lado, alerta que o ritmo das reformas deve ser acelerado e coordenado, sob pena de o país continuar a enfrentar entraves competitivos que limitam o crescimento das pequenas e médias empresas. “A redução dos custos logísticos e cambiais é hoje uma questão de sobrevivência económica”, defende a organização citada por “O Económico”. A CASP 2025 apresenta uma agenda reformista ambiciosa, estruturada em quatro eixos: .Sessão Plenária de Alto Nível, que deverá culminar com compromissos concretos entre Governo e sector privado; Sessões sectoriais e temáticas, destinadas a propor soluções práticas para os principais sectores produtivos; Fórum de Investimento e Parcerias, que apresentará projectos avaliados em cerca de 1,7 mil milhões de dólares; e Feira Empresarial e Inovação (EXPO CASP), onde serão expostas tecnologias e modelos de negócio voltados para a produtividade e competitividade das empresas moçambicanas.
De acordo com “O Económico”, o Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025–2029) será um dos eixos de análise da conferência, prevendo um crescimento médio anual de 4,6% e uma redução da dívida pública de 74% para 60% do PIB, sustentados numa política de maior previsibilidade regulatória e de promoção da economia real.
Embora o sector extractivo continue a dominar as receitas de exportação, o Executivo e a CTA convergem na necessidade de diversificar a base produtiva, apostando na agro-indústria, energia, turismo e indústria transformadora como motores da criação de emprego e da industrialização inclusiva.
Para os organizadores, a CASP não se limitará a um exercício de reflexão: será um chamamento à acção. Pretende-se que da conferência resulte um roteiro consensual de reformas e investimentos, acompanhado por uma matriz de seguimento, capaz de monitorar a execução e garantir que o ambiente de negócios evolui de forma mensurável e consistente.
Em suma, e conforme sintetiza “O Económico”, a XX CASP representa mais do que um fórum económico — é um teste à maturidade institucional do país e à capacidade de converter compromissos políticos em resultados concretos, num momento em que Moçambique procura finalmente passar de uma economia de potencial para uma economia de resultados.




