O Bairro Batu, na cidade da Maxixe, província de Inhambane, vive nos últimos dias um cenário de insegurança extrema. Criminosos têm invadido residências e estabelecimentos comerciais, muitas vezes em plena luz do dia, saqueando bens e deixando moradores aterrorizados. Circular à noite transformou-se num verdadeiro martírio: mulheres são agredidas e violadas, e há relatos de várias vítimas que caíram em emboscadas montadas pelos assaltantes.
Texto: Anastácio Chirrute, em Inhambane
Em diversas ocasiões, moradores conseguiram neutralizar alguns dos malfeitores e entregá-los à Polícia. Contudo, poucas horas depois, os mesmos são libertados, regressando ao bairro como se nada tivesse acontecido. A situação deixa a população profundamente inquieta e a pedir a quem de direito que actue com urgência, sob pena de se recorrer à justiça privada.
À luz do dia, Batu aparenta ser um bairro pacato, onde reina certa tranquilidade. Mas esta calma é ilusória. Basta um instante de distracção para que os criminosos apareçam, munidos de instrumentos contundentes, ameaçando qualquer pessoa que circule pela zona e apoderando-se dos seus bens.
A ausência de policiamento regular é apontada pelos moradores como o principal factor que permite aos criminosos actuar livremente. Sem presença policial efectiva, os residentes dizem ser obrigados a “dormir com os olhos abertos”, vivendo sempre em estado de alerta.
Cansados de esperar por soluções, alguns habitantes organizaram recentemente uma operação informal, a que chamaram “caça às bruxas”, durante a qual conseguiram capturar elementos considerados líderes de quadrilhas locais. Estes foram apresentados às autoridades, mas, tal como tem acontecido repetidamente, acabaram libertados poucas horas depois, voltando a circular pelo bairro.
Jorge Manuel, residente em Batu há 10 anos, afirma que a situação se tornou “caótica” e insustentável. “Aqui ninguém anda livremente. Até patos e galinhas desaparecem nas mãos dos criminosos. É urgente reforçar a segurança”, diz. Acrescenta que muitos dos delinquentes são conhecidos dos moradores, e estes, por sua vez, também são reconhecidos pelos criminosos — o que aumenta o clima de intimidação.
“Estamos muito mal aqui no nosso bairro. Somos assaltados de dia e de noite por pessoas que conhecemos, e eles conhecem-nos também. Mas, por terem influência junto de chefes na polícia, fazem e desfazem a seu bel-prazer”, lamenta Manuel.
O mais preocupante, segundo os moradores, é que a libertação constante dos criminosos coloca em risco quem ousa denunciá-los ou capturá-los. “Sempre que os entregamos na esquadra, acabam soltos. Quando voltam, começam a ameaçar-nos. Querem vingar-se por termos ajudado a colocá-los nas celas, e dizem que ninguém os pode prender porque são protegidos por chefes da polícia”, relatam.
A população de Batu afirma estar no limite. Se as autoridades não actuarem de forma definitiva, admitem recorrer à justiça privada para restabelecer a paz num bairro que, apesar das dificuldades, continua a crescer e a tentar desenvolver-se.




