Morreu na madrugada desta segunda-feira, 12 de Janeiro, Rosita, a jovem que se tornou símbolo de resiliência após ter nascido numa árvore durante as cheias devastadoras do ano 2000. A morte ocorreu no Hospital Rural de Chibuto, na província de Gaza, em consequência de anemia, segundo confirmou o pai à TV Sucesso.
Rosita parte em plena época chuvosa, marcada por inundações em vários pontos do País, fechando de forma trágica um ciclo que começou exactamente num contexto semelhante, há 26 anos. A sua história, profundamente ligada à vulnerabilidade climática de Moçambique, projectou-a para além das fronteiras nacionais.
Apesar das carências materiais que sempre marcaram a sua vida, Rosita transformou-se numa referência. A narrativa do seu nascimento passou a integrar conteúdos pedagógicos das primeiras classes do ensino, como exemplo de sobrevivência e esperança em meio à adversidade. Ao longo dos anos, participou em várias iniciativas institucionais e viajou para o exterior com delegações governamentais, sendo apresentada como rosto humano dos impactos das calamidades naturais.
A sua última aparição em palcos internacionais aconteceu em 2022, na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, durante a 27.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27). Rosita integrou a comitiva do então Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, e foi apresentada aos participantes de um painel sobre perdas e danos associados às mudanças climáticas, presidido por Moçambique.



