As chuvas que se fazem sentir nos últimos dias em grande parte do País voltaram a expor as precárias condições de higiene e saneamento no Mercado Grossista do Zimpeto, na cidade de Maputo. O cenário é de acentuada insalubridade, com águas estagnadas, lixo espalhado e restos de produtos agrícolas em decomposição, situação que representa um sério risco para a saúde pública.
Durante os períodos de precipitação, grande parte do mercado fica alagada, transformando os corredores de circulação em verdadeiros lamaçais. As águas pluviais misturam-se com resíduos orgânicos, sacos plásticos e restos de hortícolas, criando focos persistentes de mau cheiro e proliferação de agentes nocivos.

Naquele que é um dos maiores centros de abastecimento alimentar do País, vendedores ouvidos pelo Dossiers & Factos queixam-se da inexistência de um sistema eficaz de drenagem e da recolha irregular de lixo. “Quando chove, isto transforma-se num charco. Vendemos alimentos aqui, mas ninguém se preocupa com as condições do mercado”, lamentou um comerciante de hortícolas, que preferiu não se identificar, questionando ainda a aplicação das taxas diárias cobradas aos vendedores.
A situação assume contornos ainda mais graves por se tratar de um mercado grossista, responsável pelo fornecimento de produtos alimentares a vários mercados formais e informais da capital e dos arredores, o que levanta preocupações quanto à segurança alimentar.
Recorde-se que, no ano passado, foram realizados trabalhos de limpeza e requalificação no Mercado Grossista do Zimpeto, com vista à reorganização interna, incluindo a desobstrução das vias de acesso, a remoção de resíduos sólidos e de viaturas abandonadas, a delimitação das áreas de venda e o nivelamento de zonas propensas a inundações. Contudo, o actual cenário levanta dúvidas sobre a sustentabilidade e eficácia dessas intervenções.




