O distrito de Govuro, na região norte da província de Inhambane, encontra-se em situação de alerta vermelho, devido ao risco iminente de cheias e inundações provocadas pelas chuvas intensas que se fazem sentir um pouco por todo o País. As autoridades estimam que mais de cinco mil famílias, o equivalente a cerca de 25 mil pessoas, possam ser afectadas nos próximos dias.
Texto: Anastácio Chirrute
Face a este cenário, o Governo distrital de Govuro, em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), encontra-se no terreno a monitorar a evolução da situação e a sensibilizar as famílias que vivem em zonas de risco a abandonarem, de forma livre e voluntária, as suas residências, procurando reassentar-se em áreas consideradas seguras.
As chuvas, que se intensificaram desde a semana finda em várias regiões do País, já começaram a causar estragos significativos em Govuro, sobretudo no sector agrícola. Vários campos agrícolas encontram-se totalmente alagados, comprometendo a produção. Embora ainda não existam dados concretos sobre as perdas registadas, a situação é descrita como bastante preocupante, havendo o risco de algumas famílias enfrentarem insegurança alimentar caso não recebam apoio adicional.
Segundo a administradora do distrito de Govuro, Natília Chivambo, prevêem-se dias difíceis caso as chuvas continuem a cair com a mesma intensidade. “Já tínhamos os nossos campos alagados e, com estas chuvas, sentimos que a situação pode agravar-se. Vamos continuar a acompanhar de perto a evolução nos próximos dias. Os nossos técnicos da agricultura estão a fazer o levantamento para apurar o que foi efectivamente perdido e, assim, definir o tipo de apoio que poderá ser prestado à população”, afirmou.
A governante reiterou que mais de cinco mil famílias poderão ser directamente afectadas por este fenómeno, razão pela qual deixou um apelo claro às comunidades em zonas vulneráveis. “O apelo é para que as famílias que vivem em áreas de risco se retirem imediatamente para locais mais seguros, porque a velocidade da água é imprevisível e pode surpreender as pessoas, sobretudo durante a noite. Temos difundido esta mensagem através dos comités locais, da rádio comunitária e de outros meios ao nosso dispor”, explicou.
Com estas medidas, o Governo distrital pretende evitar a perda de vidas humanas, à semelhança do que já ocorreu noutras regiões do País. “O nosso principal objectivo é que não haja perda de vidas humanas. Felizmente, a mensagem tem sido acatada. A população já consegue interpretar os níveis de alerta e sabe que, quando estamos no sinal amarelo, é altura de começar a organizar-se. Quando se atinge o sinal vermelho, os nossos marcos tradicionais indicam claramente que a água já está a entrar nas residências”, concluiu a administradora.




