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Portugal anuncia apoio humanitário de 300 mil euros a Moçambique

As cheias provocadas pelas chuvas intensas que assolam Moçambique desde o início da presente época chuvosa já causaram a morte de pelo menos 114 pessoas, afectaram cerca de 680 mil cidadãos e agravaram significativamente a situação humanitária em várias províncias do País, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Face à dimensão da crise, Portugal anunciou um apoio financeiro de 300 mil euros para assistência humanitária às populações afectadas. A informação foi avançada pelo portal Mundo ao Minuto, citando fontes oficiais do Governo português.

O apoio será canalizado através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., no âmbito do Instrumento de Resposta Rápida, e destina-se a reforçar as intervenções de emergência nas províncias mais severamente atingidas pelas inundações. O anúncio foi feito pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, que reiterou a sua solidariedade para com Moçambique perante os impactos da actual crise climática.

De acordo com o INGD, no período compreendido entre 1 de Outubro e 19 de Janeiro, as chuvas e cheias provocaram ainda 99 feridos, deixaram seis pessoas desaparecidas e resultaram na destruição de mais de 16 mil habitações. Deste número, 4.910 casas foram totalmente destruídas e 11.367 ficaram parcialmente danificadas, agravando a vulnerabilidade de milhares de famílias em todo o território nacional.

A situação revela-se particularmente preocupante no que diz respeito às crianças. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que mais de metade das 513 mil pessoas afectadas nas primeiras semanas de Janeiro são menores de idade, um cenário que aumenta de forma significativa os riscos de doenças, subnutrição e abandono escolar.

Segundo o responsável de Comunicação do UNICEF em Moçambique, Guy Taylor, pelo menos 50 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas residências e encontram-se actualmente acolhidas em 62 centros de acomodação temporária, muitos dos quais operam acima da sua capacidade, enfrentando sérias limitações no acesso a água potável, saneamento e serviços básicos de saúde.

“As cheias não estão apenas a destruir infra-estruturas públicas e privadas, mas também a contaminar fontes de água, criando condições favoráveis à propagação de doenças e à subnutrição, o que constitui uma ameaça mortal para as crianças”, alertou o responsável da agência das Nações Unidas.

Para além das perdas humanas, as inundações estão a comprometer estradas, escolas, unidades sanitárias e sistemas de abastecimento de água, dificultando o acesso às comunidades isoladas e a capacidade de resposta das autoridades. Especialistas alertam que, com a persistência das chuvas, o País enfrenta um risco elevado de surtos de cólera, malária e outras doenças de origem hídrica, sobretudo nos centros de acomodação temporária.

As autoridades moçambicanas, em coordenação com parceiros internacionais, continuam a mobilizar recursos para assistência alimentar, abrigo, cuidados de saúde e reposição dos meios de subsistência, num contexto em que os efeitos das mudanças climáticas tornam os eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.

O apoio anunciado por Portugal junta-se a outros esforços de solidariedade internacional em curso, mas organizações humanitárias alertam que as necessidades no terreno continuam a superar largamente os recursos disponíveis, exigindo uma resposta coordenada, robusta e sustentável.

Enquanto isso, milhares de famílias permanecem em situação de emergência, à espera de soluções duradouras que permitam não apenas responder à crise imediata, mas também reforçar a resiliência das comunidades face a futuros eventos climáticos extremos.

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