EnglishPortuguese

Julião Cumbane critica opacidade na Presidência: “Estado não pode ser cliente do seu próprio ministro”

O professor universitário e analista político Julião João Cumbane acusou a Presidência da República de falta de transparência na organização das viagens oficiais do Chefe do Estado, apontando riscos de promiscuidade entre interesses públicos e privados no seio da Casa Civil.

Numa crítica tornada pública no seu mural do Facebook, Cumbane questiona o papel do ministro na Presidência para os Assuntos da Casa Civil, Ricardo Xavier Sengo, a quem atribui a responsabilidade institucional de zelar pela ética administrativa e pela legalidade dos procedimentos internos da Presidência. Segundo o académico, a acumulação de funções públicas e ligações ao sector privado por parte do governante levanta sérias dúvidas sobre a integridade dos processos que envolvem a contratação de empresas para organizar deslocações presidenciais.

De acordo com Cumbane, existem indícios de que empresas privadas estariam envolvidas na organização das viagens presidenciais, sem que exista informação pública clara sobre os contratos celebrados, os critérios de selecção ou a realização de concursos públicos.

“O problema não reside apenas na possibilidade de acumulação de funções, mas sobretudo na ausência de clareza. O silêncio sobre os contratos e os processos de selecção abre espaço para suspeitas de favorecimento e captura institucional”, afirma.

O analista sustenta que, quando as viagens oficiais – financiadas pelo erário e realizadas em nome do Estado – são envoltas em opacidade, a própria credibilidade da Presidência da República fica fragilizada, uma vez que não se sabe quem organiza, quem lucra e quem fiscaliza.

Na sua crítica, Julião Cumbane sublinha que o ministro da Casa Civil não deve, nem na aparência, nem na prática, surgir como beneficiário directo das despesas presidenciais.

“O Estado não pode ser cliente do seu próprio ministro. A sociedade civil tem o direito de exigir transparência, separação rigorosa de funções e responsabilização”, defende.

Como exemplo daquilo que considera ser uma prática lesiva ao interesse público, Cumbane refere o recente cancelamento da viagem do Presidente Daniel Chapo ao Fórum Económico Mundial, em Davos, Suiça, alegando que, apesar de a viagem não ter ocorrido, a agência contratada terá recebido fundos públicos, o que classifica como um “saque injustificado” que não pode passar em silêncio.

Julião Cumbane, que é docente de Física Nuclear na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e antigo Presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Parques de Ciências e Tecnologias, E.P., é uma das vozes mais activas do debate público nacional, com histórico de participação em espaços mediáticos de análise política e governativa.

Gostou? Partihe!

Facebook
Twitter
Linkdin
Pinterest
Search

Sobre nós

O Jornal Dossiers & Factos é um semanário que aborda, com rigor e responsabilidade, temáticas ligadas à Política, Economia, Sociedade, Desporto, Cultura, entre outras. Com 10 anos de existência, Dossiers & Factos conquistou o seu lugar no topo das melhores publicações do país, o que é atestado pela sua crescente legião de leitores.

Notícias Recentes

Edital

Siga-nos

Fale Connosco