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DEVIDO ÀS CHEIAS: Inhambane enfrenta escassez de combustíveis e alimentos

A província de Inhambane enfrenta, há cerca de uma semana, uma grave escassez de combustíveis, com destaque para a gasolina e o gasóleo, situação que começa a paralisar actividades económicas e a afectar directamente a mobilidade de pessoas e bens. Habitualmente, o combustível consumido em Inhambane é transportado a partir de Maputo, mas, neste momento, o abastecimento tornouse praticamente impossível devido à intransitabilidade de vários troços da Estrada Nacional Número Um (EN1), na sequência das cheias e inundações que afectaram severamente as províncias de Maputo e Gaza.

Texto: Anastácio Chirrute

Vários troços da N1, entre eles Incoluane – 3 de Fevereiro, foram cortados e, em alguns pontos, destruídos pela fúria das águas, impedindo a circulação normal de viaturas pesadas responsáveis pelo transporte de combustíveis. Como resultado, as cidades de Inhambane e da Maxixe registam bombas completamente vazias, com trabalhadores sem actividade e sem previsão clara para a reposição de stocks.

 A equipa de reportagem do Dossiers & Factos percorreu os principais postos de abastecimento destas cidades e encontrou um cenário semelhante em quase todos: ausência total de gasolina e gasóleo, trabalhadores sentados ou a circular de forma ocasional, como se estivessem diante de um encerramento forçado que poderá prolongar-se por vários dias.

Transporte marítimo afectado

Nos poucos postos que ainda dispõem de alguma quantidade de gasolina, formam-se longas filas de viaturas. No entanto, os responsáveis recusam abastecer em bidões, alegando ordens superiores dos proprietários dos estabelecimentos. A decisão tem provocado revolta e desespero entre os automobilistas e afectado sectores específicos, como o transporte marítimo local.

João Namburete, marinheiro que assegura a ligação Maxixe–Inhambane, relata que viu a sua actividade comprometida por não conseguir adquirir combustível para a sua embarcação. “Trouxe um bidão de 20 litros para abastecer o barco, mas disseram que só abastecem viaturas. Como é que eu trago o barco até à bomba? Os bidões são os nossos tanques. Sem combustível, não trabalhamos”, lamentou.

Situação semelhante viveu Ângelo da Silva, condutor e gestor público, cuja viatura ficou sem combustível no meio da estrada. Ao tentar adquirir gasolina num galão de cinco litros, teve o pedido recusado.

“Fui obrigado a pagar jovens para empurrarem o carro durante quase um quilómetro até à bomba. Deviam permitir, pelo menos, pequenas quantidades em bidões, porque nem todos conseguem chegar à bomba com o combustível que resta no tanque”, afirmou.

Quanto ao gasóleo, a situação é ainda mais crítica, sendo praticamente inexistente nas bombas da província. Transportadores e empresas temem a paralisação total das suas actividades, com impactos directos no rendimento dos trabalhadores. “Se isto continuar, teremos de parar. O patronato tem de compreender que se trata de um problema nacional. Sem combustível, não há trabalho”, disse um motorista ouvido pela reportagem.

Oportunistas esfregam as mãos

Para além da crise dos combustíveis, a província de Inhambane começa igualmente a sentir os efeitos da interrupção das vias no abastecimento de produtos alimentares. Em circunstâncias normais, as principais cidades da província, nomeadamente Inhambane e Maxixe, são abastecidas a partir do Mercado Grossista do Zimpeto, na cidade de Maputo, que, por sua vez, recebe grande parte dos produtos provenientes da África do Sul.

Com a EN1 cortada em vários pontos, o fluxo de mercadorias ficou comprometido, provocando escassez de produtos de primeira necessidade nos mercados locais. Nos poucos estabelecimentos ainda abastecidos, alguns comerciantes aproveitam a situação para especular os preços, agravando o custo de vida das famílias.

Nos mercados, os aumentos já são evidentes. Um bidão de cinco litros de óleo de cozinha, que antes custava cerca de 600 meticais, passou a ser vendido por 850 meticais. A batata reno, em sacos de 10 quilogramas, subiu de 400 para 600 meticais. A cebola passou de 220 para 450 meticais. O tomate, que anteriormente custava 60 meticais por quilograma, é agora vendido a 150 meticais. O arroz poderá igualmente registar aumentos nos próximos dias.

Antonieta Marrengula, residente na cidade de Inhambane, conta que teve de alterar a sua dieta alimentar devido à subida dos preços. “Saí de casa com dois mil meticais para comprar óleo, batata, cebola, frango e temperos. Quando cheguei ao mercado, encontrei tudo mais caro. Tive de reduzir as quantidades para não passar o dia com fome”, relatou.

Os impactos das chuvas intensas começam, assim, a reflectir-se de forma directa na economia da província de Inhambane e no quotidiano das populações. Enquanto persistir a intransitabilidade da EN1, tanto o fornecimento de combustíveis como o abastecimento alimentar deverão continuar condicionados, penalizando sobretudo os consumidores e os pequenos operadores económicos.

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