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Da estrada à economia: um chamado à responsabilidade

Por: Lineu Candieiro – Presidente da FDEM

A reabertura da Estrada Nacional Número Um (EN1) representa mais do que a reposição de um eixo rodoviário vital, simboliza a reactivação de fluxos económicos, a recuperação da confiança dos agentes económicos e a renovação da esperança num ciclo de retoma que o país tanto almeja.

Durante semanas, o bloqueio da EN1 impôs custos elevados à economia nacional. As longas filas de camiões registadas em pontos críticos como Xai-Xai, na província de Gaza, e 3 de Fevereiro, no distrito da Manhiça, em Maputo, traduziram-se em perdas logísticas significativas, rupturas nas cadeias de abastecimento e quase uma pressão adicional sobre a inflação, sobretudo nos bens essenciais. Estes constrangimentos penalizaram empresas, produtores, transportadores e consumidores, num contexto económico já fragilizado.

Neste momento de reabertura, impõe-se uma abordagem responsável, solidária e estratégica. É fundamental que as autoridades tenham em devida consideração os prejuízos acumulados pelo sector privado durante este período de paralisação forçada, criando condições para uma normalização progressiva das operações logísticas e comerciais. Apelo, de forma construtiva, às autoridades policiais e de fiscalização para que adoptem uma postura pedagógica e tolerante junto dos transportadores de carga ao longo da EN1, reconhecendo as dificuldades operacionais enfrentadas e priorizando a fluidez económica.

Da mesma forma, cabe aos condutores e operadores de transporte uma condução responsável e prudente, tendo em conta a fragilidade da via, severamente afectada pelas enxurradas provocadas pelas chuvas intensas que se abateram sobre o país, com particular incidência na região Sul. A preservação da infraestrutura é um activo económico que exige corresponsabilização de todos.

As projecções macroeconómicas apontavam para uma recuperação mais acelerada em 2026. Contudo, os choques climáticos recentes introduzem riscos adicionais, com potencial para comprometer o ritmo de crescimento esperado. Ainda assim, há sinais encorajadores que merecem ser destacados. A recente inauguração da fábrica de grafite em Niassa e a retoma do projecto de gás natural na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, representam investimentos estruturantes, com elevado efeito multiplicador sobre o emprego, as exportações, a arrecadação fiscal e a balança de pagamentos.

Estes projectos devem servir de âncora para uma estratégia mais ampla de dinamização dos sectores produtivos nacionais, agricultura, indústria, transportes, energia e serviços, criando um ambiente favorável ao investimento, à inovação e à competitividade empresarial. Para tal, é imperativo combater de forma firme e consistente os entraves estruturais que minam a confiança dos agentes económicos, com destaque para a corrupção, a burocracia excessiva e a ineficiência institucional.

A reabertura da EN1 deve ser encarada como um ponto de viragem: um momento de união nacional, de superação de diferenças e de compromisso com a reconstrução económica. O sector privado está pronto para fazer a sua parte, investir, produzir e gerar emprego. Cabe ao Estado garantir previsibilidade, estabilidade e um ambiente de negócios íntegro e inclusivo.

Mais do que reabrir estradas, é tempo de reabrir caminhos para o crescimento sustentável e para uma economia mais resiliente.

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