O governador da província de Maputo, Manuel Nuvunga Tule, garantiu, esta terça-feira (27), que o Governo dispõe de condições e de espaços suficientes para reassentar todas as populações que vivem em zonas de risco e que foram afectadas pelas cheias que assolam vários distritos da província.
Texto: Dossier & Factos
A garantia foi dada durante uma visita de trabalho ao distrito de Boane, onde o governante acompanhou as obras de abertura de valas de drenagem e avaliou terrenos destinados ao reassentamento de famílias que residem em áreas ribeirinhas e em corredores naturais de escoamento das águas.
No local, Tule explicou que já foram concluídos cerca de quatro quilómetros de valas de drenagem, interligando vários quarteirões da vila de Boane, com o objectivo de facilitar o escoamento das águas pluviais e reduzir o impacto das inundações. Segundo o governador, a intervenção decorre numa altura crítica, tendo em conta que a província se encontra ainda no início da época chuvosa.

“Queremos acreditar que, com a construção destas valas de drenagem, a situação das cheias será minimizada e não tão grave como a que vivenciámos recentemente. Ainda estamos no início da estação chuvosa e prevê-se a ocorrência de mais precipitação, por isso este trabalho precisa de ser célere para salvar vidas e proteger as famílias”, afirmou.
O governador reconheceu, contudo, que as obras de drenagem, por si só, não resolvem totalmente o problema das cheias, uma vez que muitas famílias continuam a viver em zonas de localização crítica. Por essa razão, o Governo provincial está a avançar, em paralelo, com o parcelamento de terrenos para reassentar populações que permanecem expostas a riscos recorrentes de inundações.
A presidente do Município da Vila de Boane, Geraldina Utchavo, explicou que mais de cinco bairros serão abrangidos pelas valas de drenagem em curso. Segundo a autarca, o município tem vindo a realizar um trabalho prévio de sensibilização junto das famílias que ocupam os canais naturais de escoamento de água, registando-se uma aceitação maioritária por parte da população.
“A maioria das famílias compreendeu a necessidade da abertura das valas, até porque já estava cansada de sofrer com as inundações. No entanto, há uma minoria que ainda resiste, receando que as suas residências sejam afectadas pelas obras”, referiu Utchavo, sublinhando que o município está consciente das suas responsabilidades e procura evitar prejuízos sem qualquer tipo de compensação às famílias directamente afectadas.
Com o arranque das obras, foram demolidos quatro muros e uma residência que se encontravam exactamente no canal de escoamento das águas. De acordo com a edil, estas intervenções visam prevenir destruições de maior dimensão provocadas pelas cheias. No total, o município mapeou cerca de 60 quilómetros de valas de drenagem, tendo sido já abertos aproximadamente cinco quilómetros.
Entre os beneficiários do processo de reassentamento está Salda Zandamela, residente no bairro 25 de Setembro, uma das zonas mais afectadas pelas inundações. Mãe de três filhos, incluindo gémeas nascidas duas semanas antes das cheias, Zandamela foi uma das primeiras a receber uma parcela de terreno e o respectivo DUAT. Visivelmente emocionada, afirmou ter abandonado a sua residência devido à gravidade das inundações e manifestou gratidão pelo reassentamento concedido pelo município de Boane.
“Foi muito difícil sair de casa com crianças pequenas, mas hoje sinto-me aliviada por ter um espaço seguro para recomeçar”, disse, acrescentando que espera que outras famílias na mesma situação possam igualmente beneficiar do processo.
No decurso da visita, o Município da Matola Rio apresentou ainda três novas zonas destinadas ao reassentamento das vítimas das cheias, nomeadamente o bairro de Djonasse, na vila municipal da Matola Rio, bem como Bili-Mulotane e Tetene, ambos no posto municipal da Matola Rio.
No final da jornada, Manuel Tule reiterou que a província de Maputo possui capacidade territorial para acolher todas as famílias que vivem em áreas de risco, incluindo aquelas que ficaram sitiadas no distrito de Marracuene. “O nosso compromisso é garantir segurança, dignidade e condições mínimas de vida às populações afectadas. Ninguém ficará para trás”, assegurou.
A visita reforça os esforços do Governo provincial para responder de forma integrada aos efeitos das mudanças climáticas, combinando soluções de engenharia, ordenamento territorial e reassentamento humano, numa altura em que as cheias continuam a representar um dos maiores desafios sociais e ambientais da província de Maputo.




