A cultura moçambicana voltou a afirmar-se além-fronteiras com a participação de Stewart Sukuma na exibição de O Ancoradouro do Tempo, apresentada na Universidade de Bayreuth, na Alemanha, no âmbito da programação do African Film Festival 2025/26. A obra, realizada por Sol de Carvalho e inspirada no livro A Varanda de Frangipani, de Mia Couto, destaca-se como uma narrativa profundamente enraizada na memória e identidade moçambicanas.
A presença de Stewart Sukuma, enquanto director musical e actor, evidenciou o papel central da música na construção estética e simbólica da obra, sublinhando o contributo da criação artística moçambicana em espaços internacionais de reflexão académica e cultural.
“Ver uma obra com ADN moçambicano ser exibida numa universidade europeia, num espaço de pensamento e produção de conhecimento, é perceber que a nossa narrativa tem lugar no mundo”, afirmou o artista.
Durante a sua estadia na Alemanha, Sukuma orientou uma palestra dedicada à música moçambicana e ao processo criativo da banda sonora, atraindo estudantes e investigadores interessados em compreender a música para além do estético, enquanto linguagem de memória, identidade e pensamento.

“A banda sonora foi concebida para revelar emoções e silêncios que habitam as imagens, integrando-se na narrativa de forma sensível e profunda”, explicou.
O encontro incluiu ainda um diálogo com a professora Ute Fendler, que destacou a arte africana como arquivo vivo de memória, bem como intervenções do realizador griot Dani Kouyaté e do académico Tendayi Sithole, que reconheceram na música de Sukuma uma expressão artística e filosófica de grande densidade.
De acordo com Sukuma, a exibição de “O Ancoradouro do Tempo” consolidou a presença da música e do cinema moçambicanos no panorama internacional, não apenas como entretenimento, mas como contributo activo para a construção de pensamento.
O Ancoradouro do Tempo, que estará brevemente em exibição no Cine-Teatro Scala, retrata a história de Izidine, um inspector da polícia encarregado de investigar o assassinato de Vasto Excelêncio, director de um asilo de idosos instalado na Fortaleza de São Nicolau. No decurso da investigação, Izidine depara-se com uma situação invulgar: cada um dos utentes do asilo afirma ser o autor do crime.




