A Federação de Desenvolvimento Empresarial de Moçambique (FDEM) considera que as conclusões da Consulta do Artigo IV de 2025 do Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçam a necessidade de acelerar reformas estruturais e colocar a industrialização no centro da estratégia de desenvolvimento nacional. Em reacção ao relatório, a organização sustenta que o défice estrutural de industrialização continua a ser um dos principais factores da vulnerabilidade externa e dos desequilíbrios macroeconómicos do país.
A Federação reconhece, contudo, os progressos assinalados pelo FMI, nomeadamente a manutenção de uma inflação baixa, níveis adequados de reservas internacionais, a condução prudente da política monetária, a saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI e a retoma planeada de um grande projecto GNL, seguramente em referência ao Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies.
A FDEM felicita o Governo e o Banco de Moçambique por estas medidas prudenciais, consideradas determinantes para preservar a estabilidade num contexto adverso.
No plano fiscal, a organização empresarial classifica como prioritária a consolidação orçamental, defendendo a contenção da massa salarial pública, o alargamento da base tributária, o reforço da gestão das finanças públicas, a mitigação dos riscos fiscais das empresas públicas e do sistema de pensões, bem como maior transparência na gestão da dívida. Para a Federação, a sustentabilidade da dívida é condição essencial para restaurar a confiança e reduzir o custo do crédito.
A agremiação destaca igualmente a recomendação de maior flexibilidade cambial, entendendo que esta poderá facilitar o ajustamento às condições externas e mitigar a escassez de divisas, desde que se preservem reservas adequadas. Defende ainda maior vigilância sobre os riscos do sector financeiro, sobretudo a elevada exposição dos bancos à dívida pública, e o reforço da inclusão financeira e do acesso ao crédito para as empresas.
Entre as preocupações centrais figura o crescimento modesto fora do sector mineiro, estimado em cerca de 2%, e o fraco dinamismo do crédito à economia. Neste contexto, a Federação considera urgente reduzir o efeito de crowding-out do Estado (absorção, pela máquina estatal, de crédito que, em condições normais, financiaria o sector privado) no sistema financeiro, ampliar o financiamento às Pequenas e Médias Empresas (PME) e acelerar reformas económicas, administrativas e legislativas que estimulem a produtividade, o investimento privado e o sector industrial.
Em conclusão, a FDEM entende que o relatório do FMI confirma a urgência de aprofundar a consolidação fiscal, reforçar a flexibilidade cambial, promover a industrialização e melhorar o financiamento ao sector privado. A organização reafirma a sua disponibilidade para um diálogo aprofundado com o Governo, visando o sucesso dos planos de aumento da produção industrial nacional, com impacto na criação de emprego qualificado, no aumento das exportações, na melhoria da arrecadação de divisas e na substituição de importações.




