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COM FOCO NA AGRICULTURA: Economista propõe estratégia para aproveitar águas das inundações

O economista e pesquisador do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Salvado Raisse, defende que Moçambique deve adoptar uma estratégia nacional específica para o aproveitamento das águas das inundações, com enfoque no reforço do sector agrícola, que considera estratégico para a soberania económica e alimentar do País.

Texto: Milton Zunguze

Apesar de reconhecer que projectos de retenção e aproveitamento de águas pluviais podem não apresentar viabilidade económica imediata para o Estado, Raisse sustenta que essa análise não deve limitar-se à lógica do lucro. Para o economista, a agricultura “é mais do que uma questão económica”.

“É uma questão de soberania económica. É uma questão de garantia da sustentabilidade alimentar. Há momentos em que o Governo precisa apoiar para buscar equilíbrio, e não necessariamente agir com foco exclusivo no lucro”, afirma.

O pesquisador estabelece um paralelo com o Sector Empresarial do Estado (SEE), onde, segundo observa, o Estado mantém investimentos em empresas públicas que nem sempre apresentam impacto positivo nas contas públicas, mas são consideradas estratégicas e soberanas. Na sua perspectiva, a gestão da água para a agricultura deve ser encarada com a mesma lógica. “A gestão da água para o sector da agricultura, sendo este também estratégico, pode valer muito”, defende.

Moçambique dispõe de uma Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, tutelada pelo Ministério das Obras Públicas. Contudo, Raisse levanta uma questão central: como capitalizar, de forma concreta, os recursos hídricos provenientes das chuvas para impulsionar sectores produtivos, particularmente a agricultura?

Dados globais indicam que cerca de 60% da água utilizada no mundo é consumida pelo sector agrícola. Para o economista, este indicador demonstra o papel fundamental da água na produção alimentar.

“Se a água é um elemento essencial para a produção agrícola, temos de procurar formas de aproveitar a água da chuva, que é um recurso natural, para impulsionar o sector”, sustenta.

Raisse acrescenta que a água da chuva apresenta, do ponto de vista técnico, características particularmente adequadas para a irrigação. Por não conter cloro nem excesso de sais e por apresentar um pH mais equilibrado, é considerada uma das melhores fontes para a prática agrícola. “Isso melhora e adequa o processo da prática da agricultura”, explica.

O economista chama ainda a atenção para a região Sul do País, historicamente marcada por ciclos de seca prolongada. Na sua leitura, as inundações registadas este ano representam uma situação excepcional e não o padrão predominante.

“Geralmente, a região sul pouco sofre de inundações de grande impacto. Na maioria das vezes, sofre de seca”, observa.

Nesse contexto, uma gestão estruturada dos recursos hídricos poderia funcionar como mecanismo de mitigação dos efeitos recorrentes da seca.

A província de Gaza, por exemplo, é uma das principais produtoras de carne no País. Contudo, as secas frequentes têm afectado severamente a produção e a conservação do gado. Uma estratégia eficaz de retenção de águas pluviais poderia, na opinião do nosso entrevistado, conferir maior estabilidade tanto à agricultura como à pecuária.

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