A competitividade da economia moçambicana está cada vez mais dependente da capacidade do Estado de reduzir os custos de transacção enfrentados pelo sector privado, defende o economista Vasco José, da Standard & Research, num comentário analítico sobre a evolução do ambiente de investimento no País.
Texto: Amad Canda
Segundo o especialista, sinais recentes, como a venda de activos da Vale à Vulcan em 2021 e o encerramento da Mozal, sugerem uma deterioração da competitividade nacional, contrastando com o período entre 2000 e 2015, quando Moçambique registou um crescimento económico médio anual de cerca de 7%, impulsionado sobretudo pelo investimento directo estrangeiro em megaprojectos extractivos.
Dados citados na análise indicam que os fluxos de investimento estrangeiro aumentaram de 347,3 milhões de dólares para cerca de 4,9 biliões de dólares nesse intervalo, tendo como principal motor os incentivos fiscais e um contexto de estabilidade política que reduzia a percepção de risco. Contudo, entre 2016 e 2025, o perfil de risco do País deteriorou se devido à fragilidade das finanças públicas, ao impacto das dívidas ocultas, à insurgência em Cabo Delgado e ao aumento de raptos de empresários.
Apesar do papel dos incentivos fiscais na atracção de capitais, o economista sustenta que estes têm um efeito limitado e essencialmente estático, não garantindo a sustentabilidade dos investimentos. Para Vasco José, a permanência dos megaprojectos depende, sobretudo, da evolução dos custos operacionais e logísticos, fortemente influenciados pela qualidade das infra-estruturas públicas.
A análise sublinha que Moçambique continua a enfrentar um défice estrutural nesse domínio, agravado pelo peso das despesas de funcionamento no Orçamento do Estado, que representa m cerca de 70% da despesa pública, sendo metade destinada ao pagamento de salários.
Neste contexto, o economista conclui que a competitividade a longo prazo da economia moçambicana dependerá menos de incentivos fiscais e mais da capacidade do País de investir em infra-estruturas, qualificação da mão-de-obra e estabilidade macroeconómica, factores decisivos para as estratégias de investimento das multinacionais.




