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Importações “desregradas” levam Safira a operar a um quarto da capacidade instalada

A  Safira, maior fábrica de tijoleira e cerâmica do País, enfrenta uma crise que já reduziu a sua produção a pouco mais de um quarto da capacidade instalada. A empresa, que tem infraestrutura para produzir 100 mil metros quadrados de azulejos por dia, opera actualmente com cerca de 27 mil metros quadrados diários, pressionada pela entrada massiva de produtos importados e por entraves administrativos que dificultam o ambiente de negócios.

Texto: Milton Zunguze

Diante deste cenário, o secretário de Estado da Indústria e Comércio, António Jorge Grispos, visitou a fábrica nesta segunda-feira, 16 de Março, na qualidade de presidente da Comissão Consultiva de Importações. A missão técnica teve como objectivo avaliar os impactos da concorrência externa e propor soluções ao Governo, embora ainda não haja prazos definidos para a implementação de medidas.

Durante a visita, a comissão constatou com preocupação a queda acentuada da produção: em 2025, a fábrica chegou a produzir 55 mil metros quadrados por dia, número que caiu para cerca de 27 mil – uma redução com graves consequências sociais. Estima-se que cerca de 700 trabalhadores moçambicanos tenham perdido os seus postos de trabalho numa empresa que durante anos foi um dos pilares da indústria cerâmica nacional.

No centro da crise está o aumento das importações de azulejos, sobretudo da Índia, Zâmbia, Zimbabwe e outros mercados, que chegam a preços competitivos e disputam espaço com a produção local. A Safira enfrenta dificuldades para competir neste contexto, sobretudo porque medidas anunciadas pelo Ministério da Economia – como o aumento da tarifa de importação de produtos cerâmicos de 7,5% para 20% e a aplicação de uma sobretaxa de 20% sobre tijoleiras importadas – ainda não saíram do papel.

Grispos reconheceu o problema e afirmou que a fábrica enfrenta uma forte pressão concorrencial, agravada pela entrada descontrolada de produtos estrangeiros. “Esta visita serve para avaliar os impactos que a Safira tem enfrentado com a importação desmesurada e desregrada de produtos cerâmicos que concorrem directamente com a produção local”, disse.

O governante alertou para o risco que a situação representa para um investimento de grande dimensão, com reflexos directos na economia nacional. “Estamos a falar de um investimento feito aqui na Moamba, que beneficia o Governo, o Estado e o povo moçambicano. Temos de olhar para isto com responsabilidade”, acrescentou.

Moçambique já dispõe de instrumentos legais para responder a situações em que a produção local é ameaçada por importações excessivas, incluindo restrições comerciais temporárias para proteger indústrias estratégicas. A Comissão Consultiva de Importações está a analisar cenários de apoio à Safira, como o aumento de tarifas, a criação de sobretaxas específicas e a implementação de mecanismos de credenciamento para importadores.

“Hoje, qualquer pessoa pode importar sem considerar o que já é produzido internamente. Isso precisa ser revisto”, afirmou o secretário de Estado.

Durante a visita, foi também abordada a questão da qualidade dos produtos vendidos pela Safira localmente, em comparação com os que são exportados. Grispos desmistificou a ideia de que os produtos exportados para a África do Sul teriam qualidade superior aos comercializados em Moçambique.

“A linha de produção é única. O produto que sai para exportação é o mesmo que é vendido no mercado moçambicano”, esclareceu.

Para além da concorrência externa, a empresa enfrenta dificuldades relacionadas com o funcionamento da Zona Económica Especial (ZEE) onde está inserida. A licença oficial de operação da ZEE ainda não foi emitida, o que tem dificultado a atracção de novos investimentos.

 Outro entrave é a política de isenção fiscal prevista para a ZEE, que ainda não foi publicada oficialmente. Embora exista uma autorização temporária do Ministério da Economia, a isenção de direitos de importação para materiais de construção não está a ser plenamente aplicada pelas Alfândegas.

Importações “desregradas” levam Safira a operar a um quarto da capacidade instalada

A  Safira, maior fábrica de tijoleira e cerâmica do País, enfrenta uma crise que já reduziu a sua produção a pouco mais de um quarto da capacidade instalada. A empresa, que tem infraestrutura para produzir 100 mil metros quadrados de azulejos por dia, opera actualmente com cerca de 27 mil metros quadrados diários, pressionada pela entrada massiva de produtos importados e por entraves administrativos que dificultam o ambiente de negócios.

Texto: Milton Zunguze

Diante deste cenário, o secretário de Estado da Indústria e Comércio, António Jorge Grispos, visitou a fábrica nesta segunda-feira, 16 de Março, na qualidade de presidente da Comissão Consultiva de Importações. A missão técnica teve como objectivo avaliar os impactos da concorrência externa e propor soluções ao Governo, embora ainda não haja prazos definidos para a implementação de medidas.

Durante a visita, a comissão constatou com preocupação a queda acentuada da produção: em 2025, a fábrica chegou a produzir 55 mil metros quadrados por dia, número que caiu para cerca de 27 mil – uma redução com graves consequências sociais. Estima-se que cerca de 700 trabalhadores moçambicanos tenham perdido os seus postos de trabalho numa empresa que durante anos foi um dos pilares da indústria cerâmica nacional.

No centro da crise está o aumento das importações de azulejos, sobretudo da Índia, Zâmbia, Zimbabwe e outros mercados, que chegam a preços competitivos e disputam espaço com a produção local. A Safira enfrenta dificuldades para competir neste contexto, sobretudo porque medidas anunciadas pelo Ministério da Economia – como o aumento da tarifa de importação de produtos cerâmicos de 7,5% para 20% e a aplicação de uma sobretaxa de 20% sobre tijoleiras importadas – ainda não saíram do papel.

Grispos reconheceu o problema e afirmou que a fábrica enfrenta uma forte pressão concorrencial, agravada pela entrada descontrolada de produtos estrangeiros. “Esta visita serve para avaliar os impactos que a Safira tem enfrentado com a importação desmesurada e desregrada de produtos cerâmicos que concorrem directamente com a produção local”, disse.

O governante alertou para o risco que a situação representa para um investimento de grande dimensão, com reflexos directos na economia nacional. “Estamos a falar de um investimento feito aqui na Moamba, que beneficia o Governo, o Estado e o povo moçambicano. Temos de olhar para isto com responsabilidade”, acrescentou.

Moçambique já dispõe de instrumentos legais para responder a situações em que a produção local é ameaçada por importações excessivas, incluindo restrições comerciais temporárias para proteger indústrias estratégicas. A Comissão Consultiva de Importações está a analisar cenários de apoio à Safira, como o aumento de tarifas, a criação de sobretaxas específicas e a implementação de mecanismos de credenciamento para importadores.

“Hoje, qualquer pessoa pode importar sem considerar o que já é produzido internamente. Isso precisa ser revisto”, afirmou o secretário de Estado.

Durante a visita, foi também abordada a questão da qualidade dos produtos vendidos pela Safira localmente, em comparação com os que são exportados. Grispos desmistificou a ideia de que os produtos exportados para a África do Sul teriam qualidade superior aos comercializados em Moçambique.

“A linha de produção é única. O produto que sai para exportação é o mesmo que é vendido no mercado moçambicano”, esclareceu.

Para além da concorrência externa, a empresa enfrenta dificuldades relacionadas com o funcionamento da Zona Económica Especial (ZEE) onde está inserida. A licença oficial de operação da ZEE ainda não foi emitida, o que tem dificultado a atracção de novos investimentos.

 Outro entrave é a política de isenção fiscal prevista para a ZEE, que ainda não foi publicada oficialmente. Embora exista uma autorização temporária do Ministério da Economia, a isenção de direitos de importação para materiais de construção não está a ser plenamente aplicada pelas Alfândegas.

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