Após quase um ano de desaceleração contínua dos preços no país, a inflação moçambicana poderá voltar a subir em 2026. A consultora internacional Oxford Economics prevê que o ciclo de queda registado ao longo de vários meses esteja prestes a inverter-se, com a inflação média anual a aproximar-se de 4,8%, interrompendo a trajectória descendente que marcou grande parte de 2025 e que levou os níveis de inflação para mínimos dos últimos anos.
Texto: Arton Macie
Ao longo de 2025, a inflação seguiu uma trajectória relativamente consistente de descida. Depois de níveis ainda moderadamente elevados no início do ano, a variação anual dos preços foi diminuindo mês após mês, acompanhando a estabilização do metical, a redução das pressões internacionais sobre alimentos e combustíveis e o efeito retardado da política monetária restritiva adoptada pelo Banco de Moçambique. No final do ano, a inflação anual situava-se próxima dos níveis mais baixos registados na última década, consolidando um período pouco comum de estabilidade de preços na economia nacional.
Segundo Oxford Economics, esta tendência foi sustentada sobretudo pela estabilidade cambial do metical e pela contenção da procura interna, factores que contribuíram para reduzir gradualmente as pressões inflacionárias que haviam marcado os anos anteriores, quando o país enfrentou sucessivos choques ligados à pandemia, às perturbações logísticas globais e ao aumento do custo internacional da energia e dos alimentos.
Contudo, de acordo com a consultora, vários dos factores que sustentaram essa estabilidade poderão tornar-se mais frágeis nos próximos anos. Um dos riscos apontados prende-se com a persistente escassez de divisas na economia moçambicana, fenómeno que limita a capacidade de financiamento das importações e mantém pressão sobre a taxa de câmbio. Num país fortemente dependente de bens importados – desde combustíveis a produtos alimentares e equipamentos – qualquer desvalorização do metical tende a reflectir-se rapidamente nos preços internos.
A consultora sublinha ainda que o ciclo económico poderá sofrer alterações com a aproximação de novos investimentos ligados ao sector do gás natural. Embora esses projectos sejam frequentemente apresentados como motores de crescimento futuro, a sua fase inicial pode gerar pressões sobre preços, salários e serviços, sobretudo em centros urbanos, onde a procura tende a crescer mais rapidamente do que a capacidade de resposta da economia.
Neste contexto, a previsão da Oxford Economics aponta para um cenário em que a inflação começa a subir gradualmente a partir de 2026, com possibilidade de acelerar de forma mais pronunciada em 2027. Nesse ano, segundo a mesma análise, a inflação média poderá aproximar-se dos 8%, sinalizando o fim do período de relativa estabilidade de preços observado recentemente.
Apesar disso, o quadro inflacionário moçambicano continua, para já, relativamente moderado quando comparado com outros países africanos que enfrentaram fortes choques de preços nos últimos anos. Instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, têm destacado que a política monetária mais cautelosa adoptada pelo Banco de Moçambique contribuiu para ancorar as expectativas de inflação e evitar oscilações mais bruscas.
Se as projecções da Oxford Economics se confirmarem, o período recente de inflação baixa poderá revelar-se apenas uma pausa temporária num ciclo mais longo de ajustamentos económicos, à medida que o país entra numa nova fase marcada por grandes projectos energéticos e por desafios estruturais persistentes na sua economia.




