– Financiamento à economia fixou-se em 290,5 mil milhões de meticais em Janeiro de 2026, contra 291,1 mil milhões em Dezembro
A massa monetária em Moçambique continua a registar crescimento, impulsionada pelo aumento dos depósitos no sistema bancário. Contudo, o crédito concedido à economia revelou sinais de desaceleração no início de 2026, num contexto marcado por taxas de juro ainda elevadas e pelo aumento do endividamento do sector público. Os dados constam do mais recente resumo mensal de informação estatística divulgado pelo Banco de Moçambique, relativo a Fevereiro do corrente ano.
Texto: Milton Zunguze
De acordo com o documento, a massa monetária atingiu 856,2 mil milhões de meticais em Janeiro de 2026, acima dos 850,6 mil milhões registados em Dezembro de 2025. O crescimento foi sustentado sobretudo pela expansão dos depósitos bancários, que subiram para 787,1 mil milhões de meticais.
Os depósitos à ordem continuam a dominar a estrutura da liquidez, totalizando 481,9 mil milhões de meticais, enquanto os depósitos a prazo alcançaram 304,6 mil milhões de meticais, sinalizando um reforço gradual da poupança financeira por parte de famílias e empresas.
Apesar do aumento da liquidez no sistema financeiro, o financiamento à economia não acompanhou a mesma tendência. O crédito concedido à economia fixou-se em 290,5 mil milhões de meticais em Janeiro de 2026, ligeiramente abaixo dos 291,1 mil milhões registados no mês anterior.
A análise sectorial mostra que os particulares continuam a absorver a maior parcela do crédito concedido pela banca, com um total de 103,7 mil milhões de meticais, mantendo-se como o principal destino do financiamento bancário.
Outros sectores com peso relevante incluem o comércio, que recebeu 23,1 mil milhões de meticais, e os transportes e comunicações, que concentraram cerca de 26 mil milhões de meticais em crédito.
Por outro lado, sectores considerados estratégicos para a diversificação económica continuam a apresentar níveis relativamente baixos de financiamento. A agricultura absorveu apenas 4,7 mil milhões de meticais, enquanto o turismo recebeu cerca de 1,5 mil milhões, evidenciando persistentes dificuldades de acesso ao crédito em áreas produtivas prioritárias.
Paralelamente, o relatório indica que o crédito líquido ao Governo continua a crescer. Em Janeiro de 2026, este indicador atingiu 310,9 mil milhões de meticais, contra 303,7 mil milhões no mês anterior, reflectindo uma maior dependência do financiamento interno por parte do Estado.
No total, o crédito interno ascendeu a 601,3 mil milhões de meticais, reforçando o peso do sector público no sistema financeiro nacional.
No que respeita às taxas de juro, a taxa média de empréstimos a um ano situou-se em 22,64% em Janeiro de 2026, mantendose em níveis elevados, apesar da tendência de redução observada ao longo de 2025. Já a taxa média de depósitos a um ano recuou para 5,24%, ampliando o diferencial entre o custo do crédito e a remuneração da poupança.
Nas novas operações de crédito, os empréstimos às empresas com maturidade superior a um ano registaram uma taxa média de 17,27%, enquanto o crédito ao consumo permaneceu mais caro, situandose em 24,22%.
No sector externo, o relatório aponta para uma ligeira melhoria das reservas internacionais líquidas, que atingiram 4,15 mil milhões de dólares no final de Janeiro de 2026, contra 4,12 mil milhões no início do período.
Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam ainda que a inflação anual em Moçambique se situou em 3,04% em Janeiro de 2026, abaixo dos 4,69% registados no mesmo período do ano anterior.
No conjunto, os indicadores apontam para um sistema financeiro em expansão, marcado pelo aumento da liquidez, crescimento das reservas internacionais e pela expansão dos serviços financeiros digitais. Contudo, a moderação do crédito à economia e o peso crescente do financiamento ao Estado continuam a levantar dúvidas sobre a capacidade do sistema bancário de impulsionar o investimento produtivo e o crescimento económico sustentável no País.




