O espectro de uma crise económica sem precedentes abate-se sobre o globo neste mês de Março de 2026. O conflito militar, despoletado no final de Fevereiro com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, e a subsequente retaliação de Teerão, mergulhou o mercado de combustíveis num caos absoluto. A paralisação do Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico por onde transita um quarto do petróleo mundial, ditou uma escassez de oferta que já se faz sentir de forma dramática em vários continentes.
Texto: Dossier económico
O Sudeste Asiático assume-se como a região mais vulnerável nesta conjuntura. O Vietname lidera a lista dos países mais fustigados, registando uma subida vertiginosa de quase 50% no preço da gasolina. No Camboja, o pânico instalou-se de tal forma que um terço dos postos de abastecimento encerrou temporariamente, enquanto no Laos os preços dispararam 33%.
A crise já atravessou o Índico e atinge agora com força a África Austral. No Zimbabwe, a subida dos preços dos combustíveis está a asfixiar uma economia já debilitada, provocando um aumento em cadeia nos custos de transporte e bens básicos. Em Moçambique, o cenário é de elevada apreensão: o Governo veio a público dar conta de que as reservas nacionais de combustíveis apenas estão garantidas até ao mês de Maio, o que levanta sérios receios de racionamento caso as rotas marítimas não sejam desbloqueadas a curto prazo.
O Impacto no Ocidente e em Portugal
Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, o galão de gasolina ultrapassou os 5 dólares na Califórnia. Na Europa, a Alemanha enfrenta o receio de uma desindustrialização forçada, com o diesel a subir mais de 13%. Em Portugal, o custo do litro de gasóleo já ronda os 2 euros, pressionando o sector dos transportes e ameaçando um novo ciclo de inflação no preço das casas e dos alimentos.
Resumo dos aumentos de Março de 2026
De acordo com os dados mais recentes, o Vietname regista uma subida de 49,7%, seguido pelo Laos com 32,9%. No Camboja, o aumento fixa-se nos 19,0%, enquanto a Austrália regista 18,2%. Nos Estados Unidos, a subida média é de 16,6% e, na Alemanha, de 13,3%.
O cenário, que já é crítico, promete agravar-se significativamente nas próximas semanas. Ataques recentes a infra-estruturas vitais de processamento de gás no Irão e, de forma alarmante, em terminais no Qatar, provocaram um disparo imediato no preço do Gás Natural Liquefeito (GNL). Esta nova frente de destruição de infra-estruturas energéticas sugere que a crise não se limitará ao petróleo, podendo paralisar sectores industriais inteiros na Europa e na Ásia que dependem do gás do Qatar.
Especialistas alertam que o impacto ultrapassa os depósitos dos automóveis. Sendo o petróleo fundamental para a produção de fertilizantes, países agrícolas como a Nigéria e a Guatemala já sentem subidas abruptas no preço dos alimentos. O que começou como um conflito no Médio Oriente ameaça transformar-se numa crise de segurança alimentar à escala planetária.




