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SERVIÇOS FINANCEIROS NO PAÍS: Agentes de carteiras móveis asseguram 95,8% dos pontos de acesso

O País registou, nos últimos cinco anos, uma expansão significativa no acesso aos serviços financeiros, com um total de 484.970 pontos de atendimento disponíveis em todo o território, um avanço relevante no domínio da inclusão financeira. Grande parte deste crescimento é impulsionado pelos agentes não bancários – vulgarmente conhecidos como agentes de carteiras móveis – que representam cerca de 95,8% do total de pontos de acesso.

Texto: Milton Zunguze

Dados do Banco de Moçambique, referentes ao quarto trimestre de 2025, indicam que os agentes das plataformas de dinheiro móvel, como M-Pesa, eMola e Mkesh, somam aproximadamente 464.604 pontos de acesso. Em contraste, os canais tradicionais continuam a ter uma expressão reduzida: os terminais POS representam 6,65%, as caixas electrónicas (ATM) 0,28% e os agentes bancários apenas 0,06%. O microcrédito corresponde a 0,71%, com maior incidência nas zonas urbanas.

Este cenário evidencia o papel determinante das carteiras móveis na expansão dos serviços financeiros, sobretudo nas áreas rurais, onde muitas vezes constituem o único meio de acesso. Ainda assim, este ecossistema enfrenta desafios, num contexto marcado pela recente aprovação de uma taxa de 10% sobre o valor bruto transferido pelas operadoras para as carteiras móveis. Especialistas alertam que a medida pode comprometer a sustentabilidade dos agentes, reduzir as margens de lucro dos pequenos operadores e, consequentemente, afectar o acesso de milhões de moçambicanos a serviços financeiros básicos.

O alerta surge numa altura em que os indicadores relativos aos meios tradicionais continuam aquém do desejável. No último trimestre de 2025, o País contava com 32.236 terminais POS distribuídos por mais de 140 distritos, 1.383 caixas electrónicas e 75 agências de microbancos e cooperativas de crédito. No sector de seguros, existiam apenas 279 pontos de atendimento, o que representa cerca de 0,06% do total.

Carteiras móveis sustentam inclusão financeira

Enquanto centros urbanos como Maputo dispõem de uma rede mais diversificada — com 209 agências bancárias, 12 microbancos, 35 agentes bancários e mais de 66 mil agentes não bancários —, várias regiões do interior dependem quase exclusivamente das carteiras móveis para a realização de transacções financeiras.

Dados analisados pelo Dossier Económico mostram que distritos como Chigubo, Massangena e Limpopo, na província de Gaza, bem como Macossa (Manica) e Muembe (Niassa), contam com uma ou nenhuma agência bancária, escassa presença de agentes bancários e ausência de infra-estruturas como ATM ou POS. Ainda assim, registam entre 135 e 1.709 agentes não bancários, o que demonstra o papel substitutivo destas plataformas.

Na mesma província de Gaza, o distrito de Guijá dispõe de apenas uma agência bancária, um agente bancário e um ATM, além de oito POS, mas conta com 573 agentes de carteiras móveis. Já em Cabo Delgado, distritos como Ibo não possuem qualquer agência bancária nem agentes bancários, dispondo apenas de 20 agentes não bancários e dois POS, o que obriga a população a depender quase exclusivamente destes serviços. Quissanga apresenta um cenário semelhante, com 38 agentes não bancários, dois ATM e oito POS.

Este retrato evidencia a necessidade de políticas públicas que reduzam as assimetrias no acesso aos serviços financeiros, através do reforço das infra-estruturas tradicionais, aliado ao apoio às carteiras móveis. Estas afirmam-se, cada vez mais, como um instrumento central para garantir que a inclusão financeira se estenda de forma equilibrada a todo o território nacional.

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