O Conselho Municipal da Cidade da Maxixe lançou, na semana finda, a primeira pedra para a construção de um aterro controlado numa área de cerca de quatro hectares, no âmbito de um projecto que visa melhorar o saneamento do meio, através da recolha, gestão e tratamento de resíduos sólidos, bem como reforçar o abastecimento de água à população. O empreendimento inclui igualmente a construção de três sistemas de abastecimento de água, destinados a beneficiar centenas de famílias residentes nos bairros Macupula e Mangapane.
Texto: Anastácio Chirrute, em Inhambane
As obras, com duração prevista de seis meses, estão avaliadas em mais de dois milhões de euros, o equivalente a cerca de 150 milhões de meticais, financiados pela Agência Italiana de Cooperação.
Trata-se de um projecto considerado estruturante para a cidade da Maxixe, que poderá trazer benefícios não apenas para o município, mas também para os munícipes que, há anos, enfrentam dificuldades no acesso à água potável. Devido à escassez do precioso líquido, muitos residentes são obrigados a percorrer quilómetros a pé para encontrar uma fontenária, enquanto outros recorrem a fornecedores privados, pagando entre cinco e dez meticais por cada bidão de 20 litros, um valor que consideram elevado.
Catarina Nhassavel, residente no bairro Macupula, é um exemplo do drama vivido por muitos munícipes. Conta que, diariamente, precisa de fazer biscates, como cultivar em machambas ou lavar roupa nas casas de vizinhos, para conseguir dinheiro suficiente para comprar água.
“Nos meus biscates consigo, no máximo, entre 100 e 200 meticais por dia. Deste valor, cerca de 50 meticais são destinados à compra de água em bidões. Imagine que na minha casa somos dez pessoas, incluindo crianças, e todos dependemos dessas latas de água para cozinhar, lavar roupa e tomar banho. Não é suficiente. Há dias em que dormimos sem tomar banho porque a água acaba”, relatou.
A moradora acredita que a construção dos sistemas de abastecimento poderá aliviar o sofrimento da população local. “Com estes sistemas, esperamos ter água mais próxima e melhorar as nossas condições de vida”, acrescentou.
No bairro Mangapane, Jordão Mateus também manifestou satisfação com a iniciativa, sublinhando que a falta de água tem sido um problema persistente na zona.
Estou feliz com esta iniciativa porque vai aliviar o nosso sofrimento. No nosso bairro enfrentamos muitos problemas de falta de água. Com a construção deste sistema de abastecimento, acredito que a nossa vida vai melhorar”, afirmou.
Para além da escassez de água, a cidade enfrenta igualmente desafios relacionados com o saneamento do meio. É frequente encontrar lixo acumulado dentro e fora dos contentores, espalhado em vários pontos da urbe, provocando odores desagradáveis e representando riscos para a saúde pública.
Face a esta situação, o município procurou estabelecer novas parcerias, o que culminou com o lançamento das obras do aterro controlado, que será implantado numa zona não habitacional. O projecto inclui ainda a melhoria do laboratório de tratamento de água pertencente à empresa Águas da Região Sul (AdRS).
A cerimónia de lançamento da primeira pedra contou com a presença de membros do Governo, autoridades locais e população, tendo sido orientada pelo governador da província de Inhambane, Francisco Manuel Pagula.
Na ocasião, o governante destacou a importância destas infra-estruturas para a melhoria das condições de vida da população. Segundo Pagula, o saneamento continua a ser um dos maiores desafios enfrentados por vários municípios do país, e particularmente da província de Inhambane.
“A ausência de meios adequados para a recolha e gestão de resíduos sólidos compromete a saúde pública e o desenvolvimento sustentável das comunidades. Este projecto permitirá à cidade da Maxixe dispor de um sistema de saneamento modernizado, baseado em metodologias e técnicas adequadas para o controlo de resíduos sólidos”, afirmou.
Pagula acredita que a iniciativa poderá contribuir significativamente para a redução das chamadas doenças de mãos sujas, com destaque para a cólera, além de criar oportunidades de trabalho para jovens.
“Apelamos aos munícipes e às forças vivas da sociedade para que acompanhem e fiscalizem a implementação deste projecto, garantindo transparência e assegurando que os seus benefícios cheguem efectivamente à população”, disse.
Em representação da Agência Italiana, Bruno Comini referiu que o projecto constitui um marco importante na cooperação entre Moçambique e Itália, particularmente no apoio à melhoria dos serviços urbanos e periurbanos no município da Maxixe.
Segundo explicou, o projecto assenta em duas vertentes principais: o reforço do abastecimento de água e a melhoria da gestão de resíduos sólidos urbanos.
“No sector da água, sabemos que a cobertura ainda é baixa na cidade. Por isso, serão construídos três sistemas de abastecimento para beneficiar várias comunidades. Além disso, a Águas da Região Sul ainda necessita de apoio para melhorar a qualidade da água, razão pela qual vamos financiar a construção de um laboratório de microbiologia”, explicou.
No que respeita à gestão de resíduos sólidos, Comini destacou que o rápido crescimento da cidade exige soluções sustentáveis.
“A cidade da Maxixe está a crescer rapidamente e, sendo a capital económica da província de Inhambane, produz cada vez mais resíduos, sobretudo nos mercados. Pretendemos reforçar o sistema de recolha de lixo e organizar pelo menos cinco bairros para a implementação de um sistema de recolha porta-a-porta, garantindo que os resíduos sejam depositados de forma segura num aterro controlado”, acrescentou.
As obras deverão iniciar nos próximos dias e terão uma duração estimada de seis meses, estando o projecto global avaliado em cerca de dois milhões de euros, financiados pela Agência Italiana de Cooperação.




