EnglishPortuguese

Moçambique é o maior destino de apoio humanitário na SADC

Em 2025, Moçambique destacou-se como o principal beneficiário de financiamento humanitário na África Austral. Dados do Financial Tracking Service (FTS), da OCHA/ONU, indicam que o país recebeu cerca de 14,07 mil milhões de meticais ao longo do ano — um valor significativamente superior ao registado nos países vizinhos e que reflecte a combinação de factores críticos, como o conflito armado em Cabo Delgado e a recorrência de desastres climáticos.

Texto: Arton Macie

Do montante total, aproximadamente 10,21 mil milhões de meticais (72,6%) foram canalizados através de planos coordenados, como o Humanitarian Needs and Response Plan (HNRP) 2025, enquanto 3,86 mil milhões (27,4%) resultaram de fluxos bilaterais ou não vinculados a apelos formais. Apesar de representar uma ligeira redução face a 2024, quando foram mobilizados cerca de 15,78 mil milhões de meticais, o volume de 2025 mantém Moçambique no topo das prioridades humanitárias da subregião.

Subfinanciamento limita resposta

O HNRP 2025 previa a mobilização de cerca de 22,53 mil milhões de meticais para assistir 1,3 milhão de pessoas em situação de necessidade, das quais 1,1 milhão constituíam a população-alvo. Contudo, apenas 35% desse valor — cerca de 7,9 mil milhões de meticais — foi efectivamente mobilizado, deixando um défice de 14,64 mil milhões (65%).

Este subfinanciamento teve impacto directo na resposta humanitária, que se deteriorou ao longo do ano. Segundo a OCHA, registaram-se níveis críticos de stocks, uma redução de 39% na assistência prestada em comparação com 2024 e uma menor abrangência das intervenções junto das populações afectadas.

Conflito e choques climáticos pressionam ajuda

A crise em Cabo Delgado manteve-se como o principal motor da mobilização de recursos, com episódios de violência a provocarem novos deslocamentos e a exigirem assistência multissectorial a centenas de milhares de pessoas. Ao longo do ano, cerca de um milhão de deslocados internos foi alcançado por algum tipo de apoio.

Em paralelo, eventos climáticos extremos — como os ciclones Jude e Chido, bem como a seca associada ao fenómeno El Niño — agravaram as necessidades humanitárias. Um dos instrumentos mais utilizados foi a assistência em dinheiro e vales (Cash and Voucher Assistance), através da qual 26 parceiros distribuíram cerca de 1,79 mil milhões de meticais a 904 mil pessoas, em nove províncias.

A maior parte deste apoio foi destinada a populações afectadas por ciclones (cerca de 768 milhões de meticais), seguida de intervenções relacionadas com o conflito (576 milhões) e com a seca (288 milhões). Nampula liderou as alocações, com cerca de 825,6 milhões de meticais, seguida de Cabo Delgado, com aproximadamente 480 milhões.

Entre os principais doadores destacam-se os Estados Unidos, a União Europeia, a Alemanha e o Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) das Nações Unidas, além de países como Noruega, Suíça e Canadá. Ainda assim, sectores específicos registaram níveis de cobertura entre 20% e 28% a meio do ano, o que limitou o alcance das operações, sobretudo em zonas remotas.

Região com apoio inferior

Na África Austral, o financiamento dirigido a outros países foi substancialmente inferior. Malawi e Zimbabwe, afectados pela seca e por inundações localizadas, receberam apenas algumas centenas de milhões de meticais. Madagascar, apesar de enfrentar ciclones, registou fluxos mais reduzidos ou fragmentados.

Já países como Angola, Zâmbia e África do Sul recorreram sobretudo a respostas internas ou de menor escala, sem apelos coordenados comparáveis aos de Moçambique. No final de 2025, mais de 1,6 milhão de pessoas no país eram afectadas por múltiplas crises, reforçando a sua posição como prioridade humanitária regional.

Gostou? Partihe!

Facebook
Twitter
Linkdin
Pinterest
Search

Sobre nós

O Jornal Dossiers & Factos é um semanário que aborda, com rigor e responsabilidade, temáticas ligadas à Política, Economia, Sociedade, Desporto, Cultura, entre outras. Com 10 anos de existência, Dossiers & Factos conquistou o seu lugar no topo das melhores publicações do país, o que é atestado pela sua crescente legião de leitores.

Notícias Recentes

Edital

Siga-nos

Fale Connosco