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Antevêem-se tempos difíceis para o bolso dos moçambicanos

O agravamento do conflito no Médio Oriente, que opõe a aliança Estados Unidos da América e Israel ao Irão, já está a produzir efeitos directos na economia moçambicana, obrigando o Banco de Moçambique a interromper o ciclo de redução das taxas de juro iniciado em 2024.

Texto: Milton Zunguze

De acordo com a nota emitida pelo Banco Central, o Comité de Política Monetária (CPMO) decidiu manter a taxa MIMO em 9,25%, justificando a decisão com o “agravamento substancial dos riscos e incertezas” associados às perspectivas de inflação.

Entre os principais factores externos apontados está a eclosão do conflito no Médio Oriente, que caminha para os 30 dias, e cujos efeitos já se fazem sentir nas cadeias logísticas globais.

O documento sublinha que a instabilidade geopolítica associada ao conflito está a pressionar a oferta e os preços dos produtos energéticos e alimentares, elementos com impacto directo na formação dos preços internos.

Segundo o CPMO, os riscos externos agravaram-se significativamente, com destaque para a incerteza quanto à duração e magnitude dos efeitos do conflito, bem como para a disrupção das cadeias logísticas internacionais e o encarecimento de bens essenciais, factores que colocam desafios acrescidos às economias importadoras.

A nível interno, o Banco de Moçambique aponta ainda outros factores de pressão, nomeadamente os choques climáticos, que afectam a produção e a distribuição de bens, bem como as incertezas fiscais, marcadas por atrasos nos pagamentos do Estado.

Dados apresentados no comunicado indicam que a inflação anual fixouse em 3,2% em Fevereiro de 2026, depois de 3,0% em Janeiro. Apesar de a inflação subjacente se manter estável, as projecções apontam para uma subida dos preços no curto e médio prazos, impulsionada, entre outros factores, pelo impacto do conflito envolvendo o Irão e pelas recentes inundações no País.

No plano económico, as perspectivas também reflectem os efeitos da instabilidade internacional. O Produto Interno Bruto (PIB) registou um crescimento de 4,7% no quarto trimestre de 2025, após uma contracção de 0,9% no trimestre anterior.

O Banco Central prevê uma recuperação gradual da actividade económica, embora a um ritmo mais lento, devido ao provável abrandamento da economia global, influenciado pelo conflito no Médio Oriente.

Outro ponto de preocupação, destacado no comunicado, é o agravamento do endividamento público interno, com a dívida interna a atingir 487,3 mil milhões de meticais, representando um aumento significativo em relação a Dezembro de 2025.

A persistência de atrasos nos pagamentos por parte do Estado continua a afectar o funcionamento do mercado financeiro, reduzindo o apetite por títulos públicos e mantendo rígidas as taxas de juro no mercado interbancário.

Neste contexto, o Banco de Moçambique sinaliza que a condução da política monetária continuará dependente da evolução dos riscos e incertezas, tanto internos como externos. A instituição admite que futuras decisões poderão ser ajustadas em função da materialização desses factores, com particular atenção à evolução do conflito geopolítico no Golfo Pérsico.

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