O Administrador do distrito de Boane, Lázaro Manuel Mbambamba, procedeu há dias, à entrega de cheques aos beneficiários do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), numa cerimónia realizada na Sala de Sessões do Governo Distrital. A iniciativa visa impulsionar iniciativas económicas locais, fomentar o auto-emprego – sobretudo entre os jovens – e dinamizar o desenvolvimento socioeconómico do distrito.
Texto: Dossier Económico
O programa é dirigido a jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos e surge como uma das respostas do Governo aos desafios do desemprego e da escassez de oportunidades económicas ao nível local. A aposta recai no fortalecimento de pequenos negócios e na criação de cadeias produtivas sustentáveis. ´
Na sua intervenção, Mbambamba destacou que o distrito de Boane possui uma configuração administrativa particular, integrando a localidade não municipalizada de Mulotana, o município da Vila de Boane e o município da Vila da Matola Rio. Segundo explicou, esta realidade exige uma gestão criteriosa e inclusiva dos recursos, de modo a assegurar que os benefícios dos programas governamentais alcancem todas as comunidades de forma equilibrada.
No que se refere à área não municipalizada, o Governo alocou cerca de 1,9 milhão de meticais para financiar iniciativas locais. O interesse pelo fundo foi elevado, tendo a Comissão Técnico-Digital recebido mais de dois mil projectos submetidos por jovens de diferentes bairros e áreas de actividade. Para o administrador, este número demonstra o crescente espírito empreendedor entre a juventude local.
“Recebemos mais de dois mil projectos, o que mostra que os jovens estão atentos às oportunidades e interessados em fazer crescer os seus negócios. O nosso papel foi seleccionar com base na meritocracia, inclusão e equilíbrio territorial”, afirmou.
Após um processo de avaliação, foram aprovados 33 projectos, distribuídos por sectores considerados estratégicos, nomeadamente pecuária, agricultura, prestação de serviços e comércio geral. Estes domínios foram priorizados por apresentarem maior potencial de geração de rendimento e impacto directo na vida das comunidades.
Do total de iniciativas financiadas, 40 por cento pertencem a mulheres e 60 por cento a jovens, em alinhamento com as orientações do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, que promovem a inclusão económica e o empoderamento destes grupos sociais.
Para além do apoio financeiro, os beneficiários foram previamente capacitados em matérias de gestão de negócios e educação financeira, com o objectivo de assegurar que os fundos sejam aplicados de forma eficiente e sustentável.
Beneficiários esperam expandir negócios
Entre os beneficiários, o sentimento predominante é de esperança e motivação para expandir actividades económicas que, até aqui, vinham sendo desenvolvidas com recursos limitados.
Filipe Samuel, cabeleireiro, considera que o financiamento chega num momento crucial para o seu negócio. Segundo explicou, antes de receber o apoio enfrentava dificuldades para manter o funcionamento regular do salão.
“Eu geria o negócio com muitas dificuldades, sobretudo na compra de produtos, o que reduzia o lucro. Agora, com este valor, vou conseguir investir mais, melhorar os serviços e atrair mais clientes”, afirmou.
O jovem acrescentou que o projecto tem potencial para gerar emprego, prevendo integrar até quatro pessoas na actividade, contribuindo para reduzir o desemprego entre outros jovens da comunidade.
Também Raimundo Armando, proprietário de uma ferragem, vê no fundo uma oportunidade de expansão. Explicou que já possuía um negócio em funcionamento, mas a limitação de capital impedia o seu crescimento.
“Quando ouvi falar do FDEL na comunidade, percebi logo que era uma oportunidade para crescer. O negócio já estava estável, mas com margem de lucro limitada. Com este apoio vou conseguir aumentar o ‘stock’ e melhorar os rendimentos”, disse.
Actualmente, a sua ferragem emprega cinco trabalhadores, e a expectativa é de que o reforço do investimento permita não apenas consolidar os postos de trabalho existentes, mas também criar novas oportunidades de emprego.
Monitoria será determinante para o sucesso
Apesar do entusiasmo que marca esta fase de desembolso dos fundos, o administrador advertiu que o verdadeiro desafio começa agora, com a implementação dos projectos e a necessidade de garantir a correcta aplicação dos recursos.
Mbambamba sublinhou que o sucesso do programa dependerá, em grande medida, do compromisso e da responsabilidade dos beneficiários, apelando a uma gestão rigorosa dos valores recebidos.
“O dinheiro já está nas mãos dos jovens. Agora é preciso que cada um cumpra com o que prometeu e utilize os recursos para os fins previstos. Não queremos ver desvios nem projectos abandonados”, advertiu.
Para assegurar o acompanhamento, foi criada uma Comissão TécnicoDigital composta por membros considerados idóneos, que terão a responsabilidade de monitorar a execução dos projectos no terreno. O processo contará ainda com o apoio do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação Financeira do Estado (CIDAE), cujos extensionistas prestarão assistência técnica aos beneficiários.
As estruturas do governo distrital, incluindo postos administrativos e lideranças locais, também estarão envolvidas no processo de fiscalização, criando um sistema de acompanhamento multissectorial.
Num discurso de tom firme, o administrador deixou um apelo directo aos beneficiários, instando-os a agir com responsabilidade.
“Quem recebeu o dinheiro deve honrar o compromisso assumido. Não se deixem levar pelo entusiasmo momentâneo. Este é um dinheiro para trabalhar, gerar rendimento e melhorar as condições de vida”, frisou.
Com a implementação destes 33 projectos, o distrito de Boane procura dar mais um passo na promoção do desenvolvimento inclusivo, apostando na juventude como motor de crescimento económico e inovação local.




