A multinacional australiana South32 prepara-se para abandonar em definitivo a fundição de alumínio da Mozal, devendo apresentar, nos próximos tempos, as condições para que a infra-estrutura reverta a favor do Estado moçambicano. A partir daí, o Governo poderá procurar novos investidores interessados em reactivar a unidade industrial, que necessitará de mais de 300 milhões de dólares norte-americanos para retomar a produção.
Texto: Dossiers & Factos
A informação foi avançada ao Dossiers & Factos por uma fonte ligada à própria gestão da Mozal, após a realização da Assembleia Geral Extraordinária, que decorreu no passado dia 27 de Março por iniciativa do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE). O encontro teve como principal objectivo discutir o futuro daquela empresa de fundição de alumínio, que foi colocada em regime de manutenção e preservação no dia 15 de Março, depois de falhadas as negociações sobre as novas tarifas de energia.
Conforme o Dossiers & Factos revelou na última edição, havia ainda alguma expectativa de que a paralisação fosse temporária, sobretudo depois da explicação apresentada pela Mozal à ProcuradoriaGeral da República, na sequência da notificação que “convidava” a empresa a abster-se de encerrar as actividades. Na ocasião, a empresa afirmou que a decisão representava “uma medida operacional, temporária e prudencial”, destinada à “preservação dos activos, salvaguarda das instalações e manutenção das condições necessárias a uma futura retoma da actividade”.
Contudo, segundo nossa fonte, a reunião realizada recentemente dissipou qualquer expectativa de retoma imediata da actividade. “Ficou claro que os australianos desistiram. Agora dizem que estão a reestruturar o grupo, mas isso pode ser apenas um pretexto. Eles já queriam sair há muito tempo”, afirmou, notando que a South32, accionista maioritário, “já fez dinheiro”, pelo que sequer se esforçou para garantir a continuidade das actividades da fábrica, que está longe de ser uma das mais relevantes do seu portfólio de investimentos pelo mundo.
Infra-estrutura poderá reverter para o Estado
Com a saída da South32, o cenário mais provável é que a infra-estrutura venha a reverter para o Estado moçambicano, mediante condições que ainda terão de ser definidas pelos actuais accionistas.
“Não há ainda um preço definido. Será necessária uma discussão técnica. A ideia é que aquilo seja deixado para o Estado, com determinadas condições estabelecidas pela South32”, explicou a fonte.
Embora o activo possa não ter um valor comercial imediato, o Governo poderá posteriormente procurar investidores interessados em adquirir a fundição e injectar os recursos necessários para modernizar e reactivar a produção.
Certo é que não faltam operadores atentos à possibilidade de aquisição da Mozal. Um dos casos referidos é o da ALUMOC, uma empresa de capitais nacionais criada no final do ano passado. De acordo com informações recolhidas, o plano da firma previa inicialmente a aquisição da participação accionista da South32, com o objectivo de posteriormente vender a fábrica a outros investidores internacionais.
Contudo, as abordagens feitas nesse sentido foram rejeitadas pela South32, como Dossiers & Factos revelou em exclusivo.
Actualmente, a South32 detém 63,7% da Mozal Aluminium, seguida da Industrial Development Corporation of South Africa Limited, que possui 32,4%, enquanto o Governo de Moçambique detém 3,9%, através de acções preferenciais.
A Investimento para retoma pode ultrapassar USD 300 milhões
De acordo com a mesma fonte, a decisão de colocar a fábrica em regime de manutenção e preservação representa uma perda significativa, uma vez que a infra-estrutura exige funcionamento contínuo.
“Aquilo funciona 24 horas por dia, com duas linhas redundantes de energia. Não se pode desligar a electricidade nem por 24 horas. Se isso acontece, o alumínio solidifica e inutiliza o equipamento”, explicou.
Por essa razão, a eventual retoma da produção exigirá um investimento avultado. “Para voltar a pôr aquilo a funcionar são necessários mais de USD 300 milhões. E esse valor pode aumentar, porque parte do equipamento já precisaria de modernização”, acrescentou.




