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ACORDOS À VISTA NO SECTOR ENERGÉTICO: Moçambique e Qinghai mutuamente encantados

Poderão estar à beira de se escancararem as portas ao investimento chinês em Moçambique, particularmente na área das energias renováveis, como resultado das articulações do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, na cidade de Xining, no quadro da sua visita de sete dias à República Popular da China. Na capital da província de Qinghai, o Chefe de Estado recebeu inequívocas manifestações de interesse, faltando agora passar da teoria à prática.

Texto: Amad Canda, enviado especial à China

Domingo, 19 de Abril. No dia mais gélido desta região do planalto tibetano desde o início da visita do Chefe de Estado, a 16 de Abril, Daniel Chapo saiu à procura de energia. Na companhia de Wu Xiaojun – secretário provincial do Partido Comunista da China (PCC) e figura cimeira de Qinghai –, o Presidente deslocou-se aos pontos previamente identificados para o efeito, começando pela Qinghai Clean Energy and Green Computing Power Dispatching Center, empresa referência na produção de energia limpa, nomeadamente através de centrais hídricas, solares e eólicas.

Ao contemplar o vasto portfólio da companhia, o Presidente da República não escondeu o encanto, tendo mesmo confessado que «colhemos uma grande experiência para desenvolver Moçambique». Não é para menos. A empresa, que integra comunidades locais na sua estrutura accionista, é responsável pela maior linha de transmissão 100% renovável do mundo, transportando energia eólica e solar de Qinghai (oeste) para a província de Henan (leste) – mais de 1200 quilómetros em linha recta.

Se na primeira empresa Chapo colheu experiência, na segunda – Highland Build – ganhou também uma explícita vontade de colaborar com Moçambique no desenvolvimento de projectos de geração de energia limpa. No final de um vídeo de apresentação do seu portfólio, com narração exclusivamente feita em português, é a própria empresa que se encarrega de praticamente lançar uma nova fase da sua relação com Moçambique, como se já fosse um dado adquirido.

Presente em mais de 14 mercados internacionais, a empresa fundada em 1958 está disposta a reforçar e alargar os seus tentáculos à Pérola do Índico, onde já deu vida a algumas infra-estruturas, entre elas a ponte sobre o rio Lúrio e o Centro Distribuidor de Água na cidade de Pemba.

Uma das grandes bandeiras desta empresa é a construção da Barragem das Três Gargantas, na China, tida como o maior projecto de conservação de água e de geração de energia hidroeléctrica no mundo, com capacidade de armazenamento de 39,3 mil milhões de metros cúbicos e capacidade de produzir 22,5 milhões de quilowatts.

Repetida duas vezes no parágrafo anterior, a palavra «capacidade» acabaria por dominar a reacção do Chefe de Estado ao que acabara de ver – ao reconhecer, lá está, a capacidade de a Highland Build se assumir como parceira de Moçambique na elaboração e implementação de projectos no sector energético. Entretanto, a engenhosidade da firma na construção de barragens chamou especial atenção ao estadista moçambicano, que já vislumbra uma eventual parceria para resolver, pelo menos em parte, o crítico problema das cheias e inundações no País.

“Em Moçambique temos o desafio do controlo das águas. Tivemos recentemente cheias e inundações que destruíram estradas, especialmente a nossa Estrada Nacional Número 1 (N1). Temos uma barragem que, a ser construída, seria muito boa para o controlo das águas. É a barragem de Mapai, em Gaza, e achamos que a empresa tem essa capacidade de fazer um estudo de controlo das águas e construção de barragens nos locais certos”, declarou Daniel Chapo.

Seguidamente, o Presidente da República e a sua comitiva, que inclui ministros, diplomatas, deputados da Assembleia da República e assessores, deslocou-se à IBC, uma empresa de produção de Painéis Solares, Energia Eólica e Hídrica.

Esta firma, que afirma ser detentora de cinco recordes no sector fotovoltaico, abriu as portas da sua unidade fabril para, eventualmente, impressionar ainda mais o Chefe de Estado, mostrando-lhe, passo a passo, o processo de produção de painéis solares. No final da visita guiada, a empresa ainda ofereceu um presente simbólico a Daniel Chapo, num gesto que é interpretado como clara tentativa de enamorar um Presidente da República que já estava enamorado desde o início.

De resto, no seio da imprensa chinesa há uma convicção de que a IBC e a Highland Build estão entre as favoritas a conseguirem contractos que lhes permitam levar a cabo grandes projectos em Moçambique.

Autoridades de Qinghai garantem envio de empresas a Moçambique

As visitas de Daniel Chapo em Qinghai tinham deixado claro o encantamento mútuo entre as empresas chinesas e Moçambique, deixando no ar a sensação de que as portas à assinatura de acordos estariam prestes a abrir-se. Ora, essa percepção ficou ainda mais reforçada no encontro entre as delegações de Moçambique e de Qinghai, lideradas, respectivamente, por Daniel Chapo e Wu Xiaojun.

Na ocasião, o secretário provincial do Partido Comunista da China não só garantiu enviar uma missão empresarial a Moçambique, como prometeu exortar os investidores de Qinghai a processarem localmente os recursos, particularmente no sector mineiro, em consonância com o desejo manifestado por Daniel Chapo.

Mais do que isso, Wu Xiaojun colocou-se ele próprio – e o governador de Qinghai – à disposição para visitar Moçambique no âmbito do aprofundamento das relações de amizade e cooperação, colocando em perspectiva, igualmente, parcerias nas áreas da agricultura, saúde e educação. Nesse último domínio, aliás, Wu Xiaojun anunciou 10 bolsas de estudo para moçambicanos na Universidade de Qinghai, em áreas não reveladas.

Por sua vez, Daniel Chapo, que repetidas vezes enalteceu a histórica irmandade entre Moçambique e China, fez saber que o Executivo que lidera está a estudar a possibilidade de um acordo de geminação entre Qinghai e uma província moçambicana.

Banyan Village, um modelo de combate à pobreza

Apesar de a economia ter dominado a agenda, o quarto dia de visita de Daniel Chapo à China começou com a visita a uma aldeia modelo de combate à pobreza. Denominada Banyan Village, Wushi Town, County, a aldeia situa-se em Haidong e alberga mais de 450 pessoas retiradas de zonas inapropriadas para a habitação. No novo assentamento, que funciona desde 2016, a comunidade em causa beneficia de abrigo condigno, alimentação, saúde e educação – tudo custeado pelo governo local.

As centenas de pessoas ali abrigadas envolvem-se em diversos tipos de actividades produtivas, entre elas corte e costura e produção de bebidas artesanais, produtos posteriormente comercializados, com o dinheiro usado para ajudar a custear despesas correntes.

Extraído da 655 do Dossiers & Factos

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