Apesar dos apelos do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, aos seus concidadãos para que não permitam que manifestações de descontentamento evoluam para atos xenófobos que coloquem em risco a vida de estrangeiros, incluindo milhares de moçambicanos, persistem sinais preocupantes de insegurança nas principais cidades daquele país vizinho.
A fundação liderada por Laice Lichucha alerta para a gravidade da situação vivida por cidadãos moçambicanos em centros urbanos como Durban, Gauteng e Joanesburgo, onde se concentra um número significativo de trabalhadores estrangeiros.
Segundo a organização, a nova vaga de tensão tem vindo a comprometer diversas atividades económicas e serviços, numa altura em que estas regiões enfrentam episódios de violência marcados por protestos e agressões contra cidadãos estrangeiros.
De acordo com Laice Lichucha, embora a violência não esteja a atingir diretamente, em grande escala, a comunidade moçambicana, há um clima generalizado de medo. Muitos cidadãos optam por permanecer em casa, numa atitude preventiva, recordando experiências traumáticas vividas em anteriores episódios de xenofobia.
“A agressão física está relativamente controlada, até porque a polícia tem acompanhado as marchas dos supostos xenófobos”, afirmou Lichucha. Acrescentou ainda que o consulado de Moçambique na África do Sul tem garantido um acompanhamento considerado aceitável, com vista a assegurar o respeito pelos direitos humanos e a integridade física e moral dos moçambicanos.
A fundação mantém, segundo explicou, contacto permanente com as autoridades consulares, partilhando informações atualizadas sobre o evoluir da situação, embora sem avançar números concretos de feridos ou vítimas mortais.
Por outro lado, o responsável chamou a atenção para a persistência da imigração ilegal entre alguns cidadãos moçambicanos, que optam por entrar na África do Sul através de esquemas clandestinos, em vez de regularizar a sua situação documental.
Lichucha sublinhou que os moçambicanos têm direito a um visto de 30 dias naquele país, ao contrário de outros cidadãos da região austral que beneficiam de períodos mais alargados, uma diferença que considera constrangedora.




