O Presidente da República, Daniel Chapo, assegurou esta terça-feira, 05 de Maio, durante uma visita de trabalho à África do Sul, que não há registo oficial de moçambicanos afectados pelos recentes episódios de xenofobia naquele país vizinho, contrariando informações que circulam nas redes sociais.
Texto: Milton Zunguze
Falando à imprensa no final de um encontro com as autoridades sul-africanas, o Chefe do Estado afirmou que os dados disponíveis, fornecidos pela Alta Comissária de Moçambique naquele país, indicam que, até ao momento, não há cidadãos nacionais vítimas directas da onda de violência reportada em algumas cidades sul-africanas.
“Informação oficial da nossa Alta Comissária, que está aqui connosco, é que até agora não há nenhum moçambicano que tenha sido afectado por esta situação”, declarou Chapo, sublinhando que muitas das informações difundidas nas plataformas digitais carecem de verificação.
“Há vídeos e mensagens que circulam nas redes sociais, mas não nos responsabilizamos por esses conteúdos. Viemos aqui exactamente para apurar a verdade no terreno”, acrescentou.
A deslocação do Estadista moçambicano ocorre num contexto de crescente preocupação regional face a relatos de ataques contra cidadãos estrangeiros, sobretudo africanos, na África do Sul. Apesar de reconhecer a existência de manifestações e actos de intolerância, Chapo manifestou confiança no Governo sul-africano, liderado por Cyril Ramaphosa, para restaurar a ordem e garantir a segurança de todos os residentes.
“Expressamos a nossa confiança nas autoridades sul-africanas e no compromisso do Governo em assegurar a protecção de todos os cidadãos”, afirmou, ao mesmo tempo que condenou os actos de violência e discursos de ódio.
“O ódio não se responde com ódio, a violência não se combate com violência, devemos apostar no diálogo, na paz e na convivência harmoniosa”, frisou.
Durante o encontro bilateral, os dois Chefes de Estado reafirmaram a necessidade de acelerar a implementação de compromissos conjuntos, sobretudo em áreas estratégicas como energia, agricultura, industrialização, infra-estruturas, transportes, logística, turismo e digitalização. Segundo Chapo, trata-se de sectores-chave para impulsionar o desenvolvimento económico dos dois países e melhorar as condições de vida das populações.
“As dinâmicas actuais exigem uma coordenação cada vez mais estreita entre os nossos países. Reafirmamos o compromisso de reforçar a execução das decisões conjuntas para o benefício dos nossos povos”, destacou.
No plano social, Chapo apelou à calma e serenidade, tanto entre os moçambicanos residentes na África do Sul como entre os cidadãos sul-africanos, recordando os laços históricos que unem os dois povos.
“Lutámos juntos contra o colonialismo e contra o apartheid. Há moçambicanos que sacrificaram as suas vidas por esta causa. Hoje, devemos continuar unidos para desenvolver os nossos países”, disse.
Como parte das medidas de acompanhamento, Chapo anunciou o envio da ministra do Trabalho para aquele País, com a missão de contactar directamente os trabalhadores moçambicanos, em particular os mineiros, e avaliar as suas condições. Paralelamente, a Alta Comissária deverá intensificar visitas às comunidades moçambicanas para monitorar a situação no terreno.
Por seu turno, Cyril Ramaphosa condenou publicamente os actos de violência e garantiu que o Governo sul-africano está a trabalhar para restabelecer a segurança e prevenir novos incidentes. Segundo Chapo, o homólogo sul-africano foi claro ao afirmar que não serão toleradas tentativas de expulsão de cidadãos estrangeiros.
“As nossas relações são excelentes e esta visita reforçou a vontade política de dinamizar ainda mais a cooperação bilateral”, concluiu.




