O indicador de classificação de risco de crédito, Ranking Empresarial Financeiro (REF) do País, registou uma queda acumulada de 15,1% ao longo de 2025, passando de 46,6% no primeiro trimestre para 39,8% no quarto, revela o Relatório Analítico e Interpretação dos Resultados do REF – Moçambique (2025), da Fundação para Competitividade Empresarial (FUNDEC).
Texto: Dossier económico
Entre o primeiro e o terceiro trimestres, o índice agregado caiu de 46,6% para 39,57%, recuperando apenas ligeiramente para 39,8% no quarto trimestre, um “padrão que indica que as empresas moçambicanas enfrentaram condições mais difíceis ao longo do ano”.
A desaceleração geral, segundo o documento, coincide com dados oficiais que apontam para um crescimento económico fraco fora dos sectores extractivos — cerca de 0,2% no ano — motivado por crédito anémico.
Um dos problemas centrais identificados pelo REF é o “crédito escasso e caro”. Por exemplo, no segundo trimestre de 2025, o Índice de Crédito caiu ligeiramente em quase todos os ramos. A agricultura passou de 3,9% para 3,8% e as Indústrias Transformadoras de 25% para 21,9%, sinalizando “restrição financeira no curto prazo”.
Apenas no terceiro e quarto trimestres se registou uma recuperação, com a agricultura a chegar aos 5%, a Indústria Transformadora a 28,8%, o Comércio a 29,1% e Transporte e Logística a 33,1%. Segundo a FUNDEC, esta recuperação resulta de “um fluxo tardio de crédito no fim do ano, possivelmente para salvar expansões de fim de exercício, mas já após a queda do REF no 3.º trimestre”.
Enquanto isso, os Serviços Financeiros mantiveram-se em apenas 2–3%, reflectindo que “o próprio sistema bancário não expandiu empréstimos no seu segmento”.
Os sectores primário e secundário, desde a agricultura, extractivas, transformadoras e construção, exibem índices de NPL (incumprimento) estáveis e baixos, com uma média de 2% na agricultura, 1,5% nas extractivas, 1% nas transformadoras e 2,5% na construção, “muito abaixo do benchmark recomendado pelo Banco Central de 5%”.
Já Comércio e Serviços, bem como Transportes e Logística apresentam índices negativos, com média de NPL de 18% e 12%, respectivamente, sugerindo que “as operações activas dos bancos nessas áreas foram problemáticas (possivelmente maiores resgates do que desembolsos)”. “Este contraste aponta risco elevado no segmento terciário e desafios de solvência nas cadeias de retalho e logística”.
O Índice de Confiança Económica mostrou elevada volatilidade. Na Indústria Transformadora, caiu de 90,2% (1.º trimestre) para 84,1% (3.º trimestre) e recuperou para 93,7% no 4.º trimestre, “espelhando a instabilidade do ano”.
No Comércio, caiu de 96,9% para 88,8% (do 1.º para o 2.º trimestre), subiu para 92,15% (3.º trimestre) e voltou a cair para 85,55% (4.º trimestre), em oscilações que descrevem “um ambiente macroeconómico incerto, com empresários preocupados”.
O estudo conclui que “o REF 2025 mostra que as empresas moçambicanas sentiram forte retracção de crédito interno e permaneceram vulneráveis a choques externos e internos, resultando em desempenho financeiro fragilizado”.
Para reverter o quadro, o relatório propõe políticas de crédito orientado, com garantia pública e linhas especiais para PMEs; reformas regulatórias e tributárias simplificadas; regimes especiais de desoneração, como Zonas Económicas Especiais; desenvolvimento da agro-indústria, manufactura leve, energia renovável, construção, turismo, transporte e logística; capacitação e inovação com incubadoras industriais; fortalecimento das instituições financeiras; e institucionalização do próprio REF como ferramenta contínua de monitoria.




