– E foram, no total, 44 dias fora do País
O Presidente da República, Daniel Chapo, efectuou oficialmente 15 viagens internacionais nos últimos seis meses, ou seja, entre Dezembro de 2025 e Maio de 2026. O levantamento feito pelo Dossiers & Factos, com base em comunicados da Presidência da República e em outras publicações de diferentes órgãos de comunicação social, mostra que o Chefe do Estado visitou países da África Oriental, Europa, Médio Oriente e Ásia, em agendas diplomáticas marcadas por objectivos económicos, cooperação bilateral, defesa e segurança, assim como a participação em fóruns internacionais.
Texto: Dossiers & Factos
Maio: o mês mais movimentado
Apesar de ainda não ter terminado, Maio já se destaca como o mês mais intenso da agenda internacional presidencial, com quatro deslocações realizadas em apenas 15 dias. Nesse período, Daniel Chapo visitou a África do Sul, Uganda, Quénia e Ruanda.
A deslocação à África do Sul, no dia 5 de Maio, esteve centrada no reforço da cooperação bilateral e económica, bem como na discussão da situação de xenofobia naquele país vizinho. Poucos dias depois, o Presidente seguiu para o Uganda, onde participou, a 12 de Maio, na cerimónia de investidura do Presidente Yoweri Museveni, reeleito para mais um mandato em Fevereiro último.
Ainda neste mês de Maio, Daniel Chapo participou na Cimeira Africa Forward, realizada entre 12 e 13 de Maio, em Nairobi, capital do Quénia, antes de seguir para Kigali, no Ruanda, onde tomou parte do Africa CEO Forum, entre 14 e 15 de Maio, dois encontros fortemente orientados para investimento privado, integração africana e cooperação económica.
Janeiro e Fevereiro registaram menos viagens
Em contrapartida, Janeiro e Fevereiro foram os meses menos movimentados em termos de viagens, com apenas uma deslocação internacional em cada período.
Em Janeiro, o Chefe do Estado efectuou uma visita oficial aos Emirados Árabes Unidos, entre os dias 12 e 14, com foco no aprofundamento das relações políticas, diplomáticas e económicas entre Maputo e Abu Dhabi.
Ainda nesse mês, Daniel Chapo deveria deslocar-se à Suíça para participar no Fórum Económico Mundial, em Davos, entre 19 e 23 de Janeiro. Contudo, a viagem acabou cancelada devido às cheias e inundações que afectaram as regiões Sul e Centro do País. O Presidente decidiu permanecer em Moçambique para acompanhar as operações de resposta à emergência.
Já em Fevereiro, a única deslocação internacional teve como destino Adis Abeba, capital da Etiópia, onde participou, entre os dias 12 e 15, na 39.ª Conferência Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana.
China acolheu a visita mais longa
A deslocação que durou mais tempo – sete dias – durante os seis meses em análise ocorreu entre 16 e 23 de Abril, na visita à República Popular da China. A viagem teve como principal objectivo o reforço das relações de amizade e cooperação entre Maputo e Pequim, incluindo encontros políticos, empresariais e económicos, numa altura em que Moçambique procura diversificar os parceiros estratégicos e consolidar investimentos chineses em sectores como energia, infra-estruturas, tecnologia e indústria extractiva.
Abril foi igualmente marcado por uma agenda regional intensa. Logo após regressar da China, Chapo deslocou-se à Eswatini, nos dias 24 e 25, para participar nas celebrações dos 40 anos de reinado do Rei Mswati III.
Dias depois, entre 27 e 28 de Abril, realizou uma visita oficial à Etiópia, orientada para o aprofundamento das relações bilaterais entre os dois países. Março dominado por Europa e diplomacia multilateral O mês de Março destacou-se sobretudo pela forte componente multilateral e europeia da agenda presidencial.
Entre os dias 27 e 29, Daniel Chapo participou na XI Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), realizada na Guiné Equatorial. Antes disso, efectuou uma visita oficial ao Quénia, entre 24 e 26 de Março, dedicada ao reforço das relações de amizade e cooperação.
Já entre 14 e 18 de Março, o Presidente esteve em Bruxelas, Bélgica, em contactos com instituições da União Europeia, centrados no aprofundamento da cooperação política, económica e institucional.
Ainda nesse mês, deslocou-se igualmente a Portugal, no dia 9 de Março, para participar na cerimónia de tomada de posse do Presidente português, António José Seguro.
Viagens consecutivas sem regresso a casa
Um dos aspectos mais curiosos do levantamento realizado pelo Dossiers & Factos prende-se com as ocasiões em que o Presidente efectuou deslocações consecutivas sem regressar previamente ao Pais
. A primeira ocorreu em Dezembro de 2025, quando Daniel Chapo partiu para Portugal, a 7 de Dezembro, para participar na VI Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique, seguindo depois directamente para Itália, onde realizou uma visita oficial entre os dias 9 e 11 de Dezembro.
Situação semelhante voltou a verificar-se em Maio deste ano, quando o Presidente participou sucessivamente em compromissos no Uganda, Quénia e Ruanda, sem efectuar regresso intermédio ao País.
Compulsados os números, o mais Alto Magistrado da Nação esteve por 44 dias fora do País durante o período em análise, em deslocações que, na sua maioria, estiveram orientadas para a captação de investimentos estrangeiros, promoção da económica e reforço das relações políticas, comerciais e de amizade do País.
Se, por um lado, há sectores que saúdam a intensa actividade diplomática de Chapo no exterior, por outro, parte da opinião pública questiona a frequência e utilidade das viagens, alegando que os seus impactos concretos demoram a fazer-se sentir no quotidiano dos moçambicanos.




