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MOBILIDADE EM HOMOINE: Novo município, problemas antigos

Homoine, um dos municípios mais recentes da província de Inhambane, com apenas três anos de existência, enfrenta um dos seus maiores desafios estruturais: a degradação avançada das suas vias de acesso. A vila apresenta estradas em estado crítico, com buracos extensos e profundos que condicionam fortemente a circulação de pessoas e bens.

Texto: Anastácio Chirrute, em Inhambane

Grande parte das ruas encontrase praticamente intransitável. Em vários pontos, os buracos tomaram conta da via pública, obrigando condutores a manobras constantes para evitar danos nas viaturas. O resultado é um cenário de desgaste permanente de pneus, suspensões e outros componentes automóveis, com impactos directos nos custos de transporte e na economia local.

Entre os casos mais críticos está o troço que liga o Mercado Bonjuene ao Hospital Rural, passando pela Mesquita, pela Escola Primária, pelo Tribunal Distrital e pela residência do comandante distrital. Trata-se de uma via central, mas profundamente degradada, onde a circulação se tornou lenta, irregular e arriscada.

Segundo relatos recolhidos no local, as autoridades municipais têm conhecimento do estado das estradas, mas as intervenções têm sido limitadas, situação que gera descontentamento entre os residentes e operadores de transporte. Para muitos, a degradação das vias contrasta com a própria existência recente do município, que, em vez de evoluir, parece enfrentar um retrocesso na mobilidade urbana.

O automobilista Chelton Nhavene, que faz diariamente a rota Homoine– Machavela, descreve uma rotina marcada por dificuldades constantes ao entrar na vila-sede. A condução é feita a baixa velocidade, com desvios sucessivos e sem condições de segurança rodoviária. “Estamos a sofrer todos os dias aqui. Já perdemos a conta das vezes que fomos ao mecânico. Pneus, amortecedores, rótulas… tudo se estraga. Pedimos ajuda a quem de direito”, lamenta.

 A situação não afecta apenas viaturas ligeiras. Motociclos e triciclos também enfrentam os mesmos constrangimentos, sobretudo em vias onde as crateras se tornam praticamente intransponíveis. Em alguns troços, como o que segue em direcção à zona da Mesquita, a circulação é descrita por residentes como extremamente perigosa.

Para os comerciantes informais, o problema vai além da mobilidade. A poeira levantada pela circulação de viaturas afecta directamente a actividade económica e a saúde. Rosália Homo, residente e vendedora há vários anos na vila, afirma que a exposição constante ao pó compromete as vendas e o bemestar. “Se tivéssemos boas estradas, não estaríamos a inalar poeira todos os dias. Só queremos trabalhar com dignidade”, desabafa.

Peões também enfrentam riscos diários, com vários casos de quedas e entorses devido aos buracos ocultos e à irregularidade do piso. A situação agrava-se na época chuvosa, quando as crateras se transformam em reservatórios de água estagnada, dificultando ainda mais a circulação e aumentando o risco de proliferação de mosquitos.

Marcos Matsinhe alerta precisamente para este cenário: “Quando chove, isto vira um pesadelo. Os buracos enchem-se de água e ficam muito tempo estagnados, o que também pode contribuir para a proliferação de mosquitos.”

 Apesar do cenário generalizado de degradação, regista-se uma intervenção pontual: a pavimentação de cerca de 300 metros de estrada, entre o Banco Millennium BIM e a via que segue em direcção ao hospital. A obra, iniciada no ano passado, permanece ainda por concluir, num município que continua a enfrentar extensas necessidades de reabilitação viária.

Num contexto em que Homoine procura afirmar-se como um município funcional e atractivo ao investimento, o estado das suas vias de acesso constitui um dos principais entraves ao desenvolvimento económico e à mobilidade urbana, condicionando a actividade diária dos cidadãos e a sustentabilidade do crescimento local.

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