A Gavi (Aliança para as Vacinas) anunciou, esta quinta-feira (11), na cidade de Maputo, um financiamento de 275 milhões de dólares norte-americanos para apoiar o Programa Nacional de Vacinação de Moçambique nos próximos cinco anos, entre 2026 e 2030. O apoio foi anunciado pela directora-executiva da organização, Sania Nishtar, após uma audiência com o Presidente da República, Daniel Chapo.
O financiamento permitirá assegurar a continuidade do actual programa de imunização, que protege milhões de crianças moçambicanas contra diversas doenças, além de viabilizar a introdução de novas intervenções de saúde pública. Entre as medidas previstas está a introdução, ainda este ano, da dose de nascimento da vacina contra a Hepatite B, considerada fundamental para reduzir a transmissão da doença e reforçar a protecção dos recém-nascidos.
Segundo Sania Nishtar, a Gavi continuará a financiar todas as vacinas actualmente integradas no Programa Nacional de Vacinação, que cobre a prevenção de dez doenças, incluindo a malária e o cancro do colo do útero.
“Estamos a comprometer 275 milhões de dólares para os próximos cinco anos, para o período estratégico de 2026 a 2030. Estes recursos permitir-nos-ão continuar a apoiar o programa de vacinação de Moçambique e a fortalecer os esforços do país na protecção da saúde das crianças”, afirmou.
Durante o encontro com o Chefe do Estado, a responsável destacou os progressos alcançados por Moçambique na vacinação de rotina, considerando que o país tem registado resultados encorajadores no aumento da cobertura vacinal e na prevenção de doenças evitáveis.
Sania Nishtar elogiou igualmente o compromisso das autoridades moçambicanas com a sobrevivência infantil e os esforços em curso para eliminar a cólera, reiterando a disponibilidade da organização para apoiar o país nesse objectivo.
“Moçambique tem sido pioneiro no que diz respeito à eliminação da cólera e estamos prontos para apoiar essa aspiração”, declarou.
Outro aspecto destacado pela directora-executiva foi a recente aprovação da nova legislação do sector da saúde, considerada um passo importante para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde. Na sua avaliação, a implementação da lei poderá facilitar a integração de mais profissionais comunitários nos mecanismos formais de remuneração e contribuir para a melhoria da prestação de serviços de saúde às populações.
A visita da delegação da Gavi ficou igualmente marcada pelo reconhecimento de Moçambique como o primeiro país do mundo a adoptar a reforma Gavi Leap, uma iniciativa recentemente lançada pela organização para promover a descentralização dos programas de vacinação, aumentar a autonomia dos países na tomada de decisões e canalizar mais recursos através dos sistemas governamentais nacionais.
A reforma prevê ainda o incentivo à produção local de vacinas em África, com o objectivo de reforçar a capacidade do continente para responder a desafios sanitários e reduzir a dependência de fornecedores externos.
Para a Gavi, a adesão de Moçambique a esta iniciativa constitui um marco importante e demonstra a confiança da organização nas instituições nacionais e na capacidade do país para liderar processos inovadores no sector da saúde.




