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COM A TRÉGUA NO MÉDIO ORIENTE: Governo admite descida dos combustíveis

O Governo moçambicano não exclui a possibilidade de uma redução dos preços dos combustíveis nos próximos meses, caso se mantenha a tendência de estabilização dos mercados internacionais após os recentes desenvolvimentos diplomáticos envolvendo o Irão e os Estados Unidos da América.

Texto: Arton Macie

A informação foi avançada pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, que afirmou que o Executivo está a acompanhar atentamente a evolução do mercado petrolífero internacional, cuja volatilidade continua a influenciar directamente os preços praticados no País.

Falando em Maputo, à margem da 20.ª edição do Economic Briefing, dedicada à análise do desempenho empresarial no primeiro trimestre de 2026 e às perspectivas económicas nacionais, o governante reconheceu que Moçambique permanece dependente das dinâmicas globais do sector energético.

“Há sinais encorajadores, mas é necessário acompanhar a evolução da situação internacional antes de se tirar conclusões definitivas”, indicou Muhate, referindo-se ao impacto das tensões geopolíticas no Médio Oriente sobre o mercado dos combustíveis.

A eventual redução dos preços surge depois de um período particularmente difícil para consumidores e transportadores. Nas últimas semanas, várias regiões do País registaram escassez de gasolina e gasóleo, situação que originou extensas filas nos postos de abastecimento e obrigou ao reforço da segurança em algumas estações de serviço.

A crise ocorreu poucos meses após a actualização dos preços dos combustíveis, efectuada em Maio, que resultou num agravamento significativo dos custos para os consumidores. Na altura, o preço do gasóleo aumentou mais de 45%, enquanto a gasolina registou uma subida superior a 12%, medidas justificadas pelas autoridades com a pressão exercida pelos mercados internacionais.

Perante a vulnerabilidade do País às oscilações do petróleo, o Executivo continua a defender a diversificação da matriz energética como uma estratégia de longo prazo para reduzir a exposição aos choques externos.

Nesse contexto, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, tem defendido o desenvolvimento da indústria dos biocombustíveis, considerando que o potencial agrícola nacional pode contribuir para reforçar a segurança energética e diminuir gradualmente a dependência dos combustíveis fósseis.

Embora reconheça que os biocombustíveis não constituem uma solução imediata para substituir a gasolina ou o gasóleo, o Governo entende que o sector poderá desempenhar um papel relevante na mitigação dos efeitos provocados pelas frequentes flutuações do mercado petrolífero mundial.

Segundo recordou a directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Cunhete, Moçambique começou a estruturar políticas para o desenvolvimento dos biocombustíveis em 2008, precisamente em resposta a anteriores crises internacionais de energia. Contudo, passados quase vinte anos, o desafio continua a ser transformar esse potencial em soluções concretas capazes de reduzir a factura energética nacional e proteger os consumidores das turbulências externas.

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