O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, defende que Moçambique só poderá alcançar um desenvolvimento sustentável com a alternância no poder. Na sua perspectiva, a passagem da Frelimo para a oposição e a constituição de uma bancada parlamentar minoritária constituem condições essenciais para que o País conheça um novo ciclo de crescimento e consolidação democrática.
As declarações foram proferidas na tarde da última sexta-feira, 26 de Junho, durante uma visita de trabalho à cidade da Beira, província de Sofala, onde o líder do MDM manteve um encontro com membros e simpatizantes do partido.
Na ocasião, Simango apelou aos moçambicanos para reflectirem sobre o estado actual da nação, afirmando que o País enfrenta profundas dificuldades em sectores fundamentais. O dirigente criticou a degradação dos sistemas públicos de saúde e de educação, defendendo a implementação urgente de reformas estruturais capazes de melhorar a prestação destes serviços.
O líder do MDM manifestou igualmente preocupação com a onda de violência xenófoba contra cidadãos moçambicanos na África do Sul, lamentando o que considerou ser a passividade das autoridades dos dois países perante uma situação que, segundo afirmou, já provocou a morte de mais de uma dezena de estrangeiros.
Segundo Simango, o ultimato lançado por grupos de sul-africanos, que estabeleceram o dia 30 de Junho como prazo para a saída de cidadãos estrangeiros daquele país, agravou o clima de insegurança entre os imigrantes. Os manifestantes responsabilizam os estrangeiros pelo desemprego e por parte dos problemas sociais que afectam a África do Sul.
Como consequência, vários moçambicanos residentes em zonas afectadas pela violência viram-se obrigados a regressar ao País de forma precipitada, abandonando bens e património acumulados ao longo de vários anos de trabalho. Para muitos, a prioridade foi preservar a vida, mesmo que isso significasse recomeçar do zero.
Lutero Simango defendeu que o fenómeno da migração irregular está directamente ligado à escassez de oportunidades de emprego em Moçambique. Na sua opinião, a falta de perspectivas económicas leva milhares de jovens a procurar melhores condições de vida na África do Sul, expondo-os a situações de exploração, discriminação e violência.
“Os ataques na África do Sul são o resultado da falta de emprego que empurra os nossos jovens para a vulnerabilidade”, afirmou, defendendo que a criação de postos de trabalho e o fortalecimento da economia nacional são essenciais para reduzir a emigração e proteger os cidadãos moçambicanos.




