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NO I TRIMESTRE DE 2026: Indústria perde fôlego e mercado de trabalho atrofia

O sector industrial moçambicano entrou em 2026 com sinais claros de desaceleração económica, que teve impacto directo no mercado de trabalho. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o primeiro trimestre do ano foi marcado por uma queda expressiva da produção, redução do volume de negócios e contracção do emprego e das horas trabalhadas, ainda que as remunerações tenham registado aumento significativo.

Texto: Milton Zunguze

O retracto traçado pelo Relatório de Indicadores de Curto Prazo da Indústria (ICPI) aponta para um trimestre de pressão generalizada sobre a actividade industrial, com destaque para a perda de postos de trabalho num contexto de enfraquecimento da procura e quebra na produção.

O Índice de Produção Industrial (IPI) registou uma das maiores contracções dos últimos períodos, com uma variação homóloga de -23,2% no primeiro trimestre de 2026. Em termos de nível, o índice situouse em 72,5%, abaixo dos 96,6% registados no trimestre anterior, representando uma queda de 24,1%.

A tendência de retracção foi particularmente visível em Março, mês em que o índice caiu para 56,3%, após 76,8% em Fevereiro e 84,5% em Janeiro, evidenciando um abrandamento contínuo ao longo do trimestre.

Segundo o relatório do INE, o desempenho negativo foi determinado sobretudo pelos “Bens de Consumo Não Duradouros” e pelos “Bens Intermédios”, que contribuíram com impactos negativos de -14,5% e -8,3%, respectivamente.

As indústrias alimentares, bebidas e tabaco surgem como um dos segmentos mais penalizados, com forte contribuição negativa para o desempenho global da produção industrial.

Volume de negócios também desacelera

A quebra da produção foi acompanhada por uma redução do dinamismo comercial do sector. Segundo o documento, o Índice de Volume de Negócios (IVN) recuou para uma variação homóloga de – 6,7%, reflectindo a perda de ritmo das vendas industriais no mercado interno e externo.

O índice caiu de forma progressiva ao longo do trimestre: 151,7% em Janeiro, 122% em Fevereiro e 87% em Março, sinalizando uma deterioração consistente da actividade comercial.

A queda foi fortemente influenciada pelo desempenho dos bens de consumo não duradouros, que contribuíram com -7,3%, reflectindo a fragilidade da procura em sectores de bens essenciais transformados.

Emprego industrial em contracção: o dado mais sensível

Por sua vez, o Índice de Emprego na Indústria (INPS) caiu 9,7% em termos homólogos, confirmando uma redução significativa do número de trabalhadores no sector. Por exemplo, em termos absolutos do índice, o emprego passou de 79,8% no trimestre anterior para 72,5% no primeiro trimestre de 2026, evidenciando uma perda consistente de postos de trabalho.

A trajectória mensal reforça esta tendência: o índice caiu de 74,3% em Janeiro para 73,6% em Fevereiro e 69,5% em Março, o valor mais baixo do trimestre.

A análise do INE indica que os bens de consumo não duradouros foram os principais responsáveis pela destruição de emprego, com uma contribuição negativa de -7,8%: Os sectores intermédios e energéticos também contribuíram negativamente, ainda que em menor escala.

Em linha com a contracção do emprego, o Índice de Horas Trabalhadas (IHT) também registou uma redução homóloga de -9,6%.

Remunerações sobem apesar da crise laboral

Num contraste significativo com a queda do emprego, o Índice de Remunerações (IREM) registou um aumento homólogo de 10,7%, indicando uma subida dos salários médios no sector industrial.

O índice situou-se em 139,1% no trimestre, acima dos 129,7% registados no trimestre anterior. Mensalmente, os salários evoluíram de forma irregular, mas com recuperação em Fevereiro e Março, após uma queda inicial em Janeiro. O INE destaca que os maiores contributos positivos vieram dos bens intermédios (12,8%) e dos bens de consumo não duradouros (2,3%).

Inflação industrial com sinais mistos

Por fim, o Índice de Preços na Produção Industrial (IPPI) apresentou um comportamento relativamente mais estável, com uma variação homóloga de 1,7%, após períodos de queda nos meses anteriores.

Em termos de nível, o índice situou-em 161,6% no trimestre, ligeiramente abaixo do trimestre anterior. A variação reflecte pressões moderadas de preços, com destaque para os aumentos nos bens intermédios e na energia.

Estes dois segmentos foram responsáveis por contribuir positivamente para a inflação industrial, enquanto os bens de consumo não duradouros exerceram pressão negativa.

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