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617 Cidadãos constituídos arguidos por tráfico de droga no País em 2025

A secretária de Estado na província de Inhambane, Arsénia Felicidade Félix Massingue, revelou que, ao longo do último ano, 617 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, foram constituídos arguidos por envolvimento em crimes de tráfico ilícito de droga, na sequência da instauração de 387 processos-crime em todo o País.

A informação foi avançada na sexta-feira, 3 de Julho, durante as cerimónias provinciais de celebração do Dia Internacional de Luta contra o Tráfico e Consumo Ilícito de Drogas, assinalado anualmente a 26 de Junho.

Na ocasião, a governante reafirmou que Moçambique não pretende “cruzar os braços” perante o avanço do narcotráfico, considerando-o uma ameaça séria ao equilíbrio das famílias, à juventude e ao tecido social.

Segundo Arsénia Massingue, a rápida evolução das novas drogas e o recurso crescente às tecnologias de informação por parte das redes criminosas para recrutar consumidores e expandir os seus mercados representam desafios que exigem vigilância permanente e adaptação constante das estratégias de combate.

A dirigente defendeu igualmente um reforço da cooperação e do controlo fronteiriço, alertando que a crescente permeabilidade das fronteiras não pode servir de incentivo à criminalidade nem facilitar a impunidade dos traficantes.

No domínio da saúde pública, Arsénia Massingue manifestou preocupação com a idade cada vez mais precoce de iniciação ao consumo de drogas. Segundo explicou, o primeiro contacto com a cannabis sativa (suruma) ocorre, em muitos casos, ainda durante a adolescência, sendo precisamente os adolescentes e jovens o grupo onde se verifica a maior prevalência do consumo de substâncias psicoactivas.

Dados apresentados pela Secretária de Estado indicam que, em 2025, os serviços nacionais de saúde registaram 13.452 casos associados ao consumo de múltiplas substâncias psicoactivas, dos quais 7.169 envolveram adolescentes e jovens.

No mesmo período, foram igualmente registados 10.999 casos de abuso de álcool, incluindo 5.212 pessoas com idades entre os 15 e os 35 anos, bem como 2.767 casos relacionados com o consumo de canabinóides e 2.338 casos associados ao abuso de opióides. Para a governante, estes números demonstram que o consumo de múltiplas drogas e do álcool continua a constituir um grave problema de saúde pública em Moçambique.

No âmbito da prevenção, Arsénia Massingue destacou que, durante o último ano, foram criados e revitalizados 3.283 núcleos antidroga em escolas de todo o País. Paralelamente, realizaram-se 59.172 palestras e 6.848 sessões de diálogo, sobretudo dirigidas à juventude, tendo sido mobilizados 52.832 activistas nas escolas e comunidades para reforçar as acções de sensibilização e prevenção.

Relativamente às operações policiais desenvolvidas na província de Inhambane, a dirigente revelou que foram instaurados 19 processos-crime, detidos 20 arguidos e apreendidos 13,850 quilogramas de diversas drogas.

Arsénia Massingue sublinhou que o combate ao narcotráfico deve combinar medidas repressivas com uma forte componente preventiva.

“A droga afecta e destrói o que o ser humano tem de mais precioso, que é a liberdade e a dignidade. A nossa mensagem é clara: uma vida com drogas é escravidão, auto-destruição e morte”, afirmou.

A governante advertiu ainda que nenhum país está imune aos impactos do narcotráfico e dos crimes conexos, defendendo uma abordagem integrada que envolva o Estado, as famílias, as escolas, as comunidades e as organizações da sociedade civil.

Para Arsénia Massingue, a prevenção deve ir além da simples intimidação, procurando oferecer aos jovens alternativas que lhes permitam desenvolver autonomia, responsabilidade e perspectivas de futuro.

“A guerra contra as drogas só será vencida se for travada em várias frentes simultaneamente”, concluiu.

Na sua intervenção, a Secretária de Estado enalteceu igualmente os esforços do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, na procura de soluções para enfrentar os problemas de saúde pública e reforçar o combate ao narcotráfico e ao consumo de drogas ilícitas em Moçambique.

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