A Aldeia de Crianças SOS Moçambique apresentou, recentemente, em Maputo, o seu Plano Estratégico 2024–2028, um documento que redefine a actuação da organização, privilegiando a prevenção da separação familiar, o fortalecimento das comunidades e uma maior colaboração com o Governo, parceiros de desenvolvimento e o sector privado.
Texto: Dossiers & Factos
Na abertura da sessão, o Director Nacional da SOS Moçambique, Gerson Macheve, recordou que a organização nasceu em 1949, no período pós-Segunda Guerra Mundial, para responder à situação de milhares de crianças que haviam perdido os pais e outros familiares.
Explicou que, naquela altura, foram criadas as primeiras aldeias e casas familiares para oferecer protecção, um ambiente seguro e acesso à educação às crianças órfãs e vulneráveis.
Segundo o dirigente, embora esse modelo tenha permitido transformar a vida de milhares de crianças ao longo de décadas, os desafios actuais exigem novas respostas, centradas na prevenção da perda dos cuidados parentais e no reforço das famílias para que as crianças possam crescer no seu próprio meio familiar.
Durante a apresentação do plano, o Director do projecto, Walter Bambo explicou que a nova estratégia mantém a visão, missão e valores da organização, em conformidade com a Federação SOS Children’s Villages, mas introduz uma abordagem inovadora baseada na comunidade.
De acordo com Walter Bambo, o plano foi concebido tendo como referência um cenário em que mais de metade das crianças moçambicanas necessitavam de cuidados e protecção cerca de 45% da população vivia em situação de pobreza e aproximadamente dois milhões de crianças estavam fora da escola.
Perante este contexto, a organização continuará a desenvolver programas nas seis províncias, nomeadamente, Maputo, Inhambane, Sofala, Manica, Tete e Cabo Delgado, mas prevê expandir a sua intervenção para outras províncias com elevada densidade populacional e maiores níveis de vulnerabilidade.
Uma das mudanças mais significativas consiste na redistribuição dos investimentos da organização, segundo explicou, cerca de 80% dos recursos passarão a ser aplicados em programas comunitários de fortalecimento familiar e prevenção da separação das crianças das suas famílias, enquanto os restantes 20% continuarão a financiar o modelo tradicional de cuidados alternativos, garantindo que as crianças actualmente acolhidas continuem a receber assistência.
A estratégia inclui igualmente o reforço das áreas de acção humanitária, saúde mental e apoio psicossocial, advocacia pelos direitos da criança, empoderamento dos jovens e desenvolvimento da resiliência das famílias perante os impactos das mudanças climáticas e outras situações de emergência.
Entre os principais objectivos do plano, a SOS Moçambique pretende aumentar o número de famílias acompanhadas de cerca de 1.126 para 35 mil até 2028, introduzir o modelo de famílias de acolhimento, assegurar que 90% dos jovens que deixam os programas atinjam autonomia financeira e garantir que pelo menos 80% das famílias apoiadas consigam tornar-se auto-suficientes.
Walter Bambo destacou ainda que a organização pretende fortalecer as estruturas comunitárias de protecção da criança e trabalhar em estreita colaboração com o Governo para consolidar os sistemas de protecção social, defendendo reformas legislativas e o reconhecimento das estruturas comunitárias como parte integrante da resposta nacional.
Segundo explicou, estas metas inserem-se no objectivo global da SOS Children’s Villages de alcançar 500 mil crianças, jovens e famílias até 2028, assegurando que cresçam em ambientes familiares seguros, protegidos e favoráveis ao seu desenvolvimento.
Na ocasião, Gerson Macheve apelou ao envolvimento do Governo, do sector privado, dos parceiros de cooperação e da sociedade civil, defendendo que a protecção da criança é uma responsabilidade colectiva. Para o Director Nacional, a implementação do Plano Estratégico 2024–2028 dependerá da construção de parcerias sólidas capazes de ampliar o impacto da organização e garantir que mais crianças cresçam no seio das suas famílias e comunidades.
O responsável concluiu reiterando que a SOS Moçambique pretende assumir, cada vez mais, um papel de facilitadora e fortalecedora das capacidades das comunidades e das instituições locais, contribuindo para um sistema de protecção da criança mais sustentável e eficaz no país.




