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EM NAMPULA E NIASSA: Gondola ordena recuperação urgente de infra-estruturas energéticas

O Presidente do Conselho de Administração do Fundo Nacional de Energia (FUNAE), Mety Oreste Gondola, concluiu uma visita de trabalho às províncias de Nampula e Niassa marcada por orientações firmes para acelerar a recuperação das mini-redes eléctricas avariadas, reforçar a manutenção das infra-estruturas energéticas e resolver os problemas que afectam o funcionamento de vários postos de abastecimento de combustível sob gestão do FUNAE.

Texto e imagem: Hélio de Carlos

Ao longo da visita, o dirigente percorreu distritos, postos administrativos e localidades para avaliar o estado das mini-redes fotovoltaicas e dos postos de combustível, ouvindo gestores, autoridades locais e membros das comunidades. Em todas as paragens, a principal preocupação incidiu sobre o impacto que a interrupção da energia e as dificuldades no abastecimento de combustíveis têm provocado na economia local e na vida das populações. Em Nacumua, no distrito de Metarica, Gondola encontrou uma comunidade sem energia há cerca de dois meses, na sequência de uma avaria nas baterias e no sistema de balanceamento da central fotovoltaica.

Construída em 2023, a infra-estrutura chegou a assegurar fornecimento contínuo de electricidade a 258 famílias, estabelecimentos comerciais e uma escola, tendo sido concebida para apoiar igualmente actividades produtivas, como o funcionamento de uma moageira.

Perante a situação, o PCA considerou inaceitável que comunidades que já beneficiaram de energia regressem à escuridão.

“Isto aqui é perigoso. Dar energia e depois interromper cria aflição. Imagine quem já comprou uma geleira e perdeu os seus produtos”, advertiu.

A falta de energia provocou prejuízos económicos significativos. Comerciantes perderam produtos refrigerados, oficinas de soldadura suspenderam a actividade e a escola viu interrompido o projecto da sala de informática. A comunidade voltou igualmente a enfrentar noites sem iluminação.

“Antes, com a energia, a comunidade ficava alegre e iluminada. Agora voltámos a tomar sumo quente”, relatou o chefe do posto administrativo, Manuel Abu Dumamede.

Perante este cenário, Gondola apresentou um pedido público de desculpas à população e garantiu que o fornecimento será restabelecido dentro de cerca de 20 dias. Segundo explicou, o equipamento necessário já se encontra em Maputo e, após a conclusão de trabalhos em Tete, uma equipa técnica deslocarse-á a Nacumua para efectuar a reparação, estimada em cinco dias.

Além da reposição da energia, o PCA orientou a activação da fontenária local e a criação de hortas comunitárias, defendendo que parte da produção agrícola passe a abastecer o hospital e as famílias em situação de maior vulnerabilidade.

Formação de jovens deve gerar emprego

Durante a visita, Gondola destacou igualmente os resultados da formação de jovens locais na instalação das mini-redes. Um dos exemplos é Antoninho Mustafá Anes, que participou na instalação da central e hoje realiza instalações eléctricas residenciais.

“Ganhei cerca de 40% de conhecimento. Não sabia nada e agora consigo identificar avarias e fazer instalações em residências”, afirmou.

Para o dirigente, este é o modelo que a instituição pretende consolidar: formar técnicos locais, transferir gradualmente a gestão das infra-estruturas para o sector privado e criar oportunidades de emprego para os jovens capacitados.

Obras em Moluco devem acelerar antes das chuvas

No posto administrativo de Moluco, distrito de Nipepe, Gondola visitou a central fotovoltaica de 100 kW, cuja construção esteve interrompida.

A infra-estrutura deverá beneficiar cerca de 8.200 habitantes e impulsionar actividades económicas, através do funcionamento de mais de seis moageiras, da criação de hortas comunitárias e da dinamização da produção de gergelim, principal fonte de rendimento da população.

O PCA determinou que todo o equipamento seja pré-posicionado até Setembro, antes do início da época chuvosa, para permitir que a central entre em funcionamento dentro de três a quatro meses. “O equipamento deve chegar antes das chuvas para evitar novos atrasos”, orientou.

Chissimbir poderá voltar a ter energia em sete dias

Na localidade de Chissimbir, distrito de Ngauma, Gondola encontrou a situação mais crítica da visita.

A comunidade beneficiou de energia em 2019, mas desde 2022 permanece sem serviço devido à avaria da central. No passado dia 20, os residentes realizaram uma manifestação pacífica para exigir o restabelecimento do fornecimento. “Vieram em massa, a cantar e a pedir energia”, contou o chefe da localidade, Félix Berto Dima.

O PCA classificou a situação como “lastimável” e ordenou a mobilização imediata de uma equipa técnica, com o objectivo de resolver a avaria no prazo máximo de sete dias.

Plano nacional prioriza recuperação das centrais paralisadas

A visita permitiu igualmente definir as prioridades da estra tégia nacional para as mini-redes. Segundo Gondola, a FUNAE identificou 22 centrais que necessitam de intervenção urgente.

Dez serão alvo de reparações imediatas, num investimento estimado em 260 milhões de meticais, enquanto outras 12 exigem intervenções de maior dimensão, previstas até ao próximo ano. O dirigente deixou uma orientação clara às equipas técnicas.

“Onde já houve energia e ficou sem, não podemos esperar até ao próximo ano. Temos de reparar agora.”

Acrescentou que será implementado um plano rigoroso de manutenção preventiva, acompanhado pela constituição de reservas regionais de peças sobressalentes e pela formação contínua de técnicos locais.

Postos de combustível enfrentam dificuldades operacionais

A deslocação às províncias de Nampula e Niassa incluiu igualmente a avaliação dos postos de abastecimento de combustível sob gestão da FUNAE.

Dos 20 postos existentes, 17 encontram-se operacionais, embora enfrentem dificuldades de fornecimento, enquanto três permanecem paralisados devido a problemas de licenciamento e constrangimentos logísticos.

Em Iapala, distrito de Ribáuè, o funcionamento do posto continua comprometido devido à falta de uma licença avaliada em cerca de 200 mil meticais, situação que mantém imobilizado um investimento de aproximadamente 40 milhões de meticais. Já em Lalaua, o elevado custo do transporte do combustível inviabiliza a exploração da infra-estrutura.

Enquanto o valor de referência é de 2,5 meticais por litro, o custo efectivo ascende actualmente a 6,5 meticais. “O prejuízo está com a população. Não podemos deixar o distrito refém”, afirmou Gondola.

Como medida transitória, a FUNAE decidiu suportar os quatro meticais adicionais do custo de transporte, deduzindo posteriormente esse montante no pagamento ao gestor do posto, enquanto analisa alternativas ao actual fornecedor.

Em Namaponda, o principal problema identificado foi de natureza técnica, tendo já sido mobilizada uma equipa de manutenção para proceder à respectiva reparação.

Ao longo da visita, Mety Gondola concluiu que a interrupção da energia continua a travar a actividade económica em várias comunidades. Por isso, defendeu que as mini-redes deixem de ser encaradas apenas como infra-estruturas eléctricas e passem a funcionar como instrumentos de desenvolvimento local, capazes de gerar rendimento, emprego e melhores condições de vida para as populações.

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