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NO MERCADO PROVISÓRIO NA MATOLA-RIO: “Só estamos aqui porque temos de obedecer às autoridades”

Embora alguns vendedores e utentes tenham reagido de forma positiva a transferência dos comerciantes informais e a reorganização do Terminal da Mozal, no município da Matola-Rio, a maioria dos vendedores e operadores de transporte semi-colectivo considera que a medida foi executada sem que estivessem reunidas as condições mínimas para o seu funcionamento. Os queixosos afirmam que o espaço provisório é reduzido, carece de infraestruturas básicas e reproduz os mesmos problemas que justificaram a retirada do antigo local.

Texto: Dossier económico

A transferência, efectuada esta quinta-feira, 23 de Julho, pelo Conselho Municipal da Matola-Rio, abrangeu cerca de 200 vendedores devidamente registados que exerciam actividade no antigo Terminal da Mozal.

Em declarações ao Dossier Económico, a vereadora das Actividades Económicas, Mercados e Feiras, Cecília Chinavane, explicou que a mudança tem carácter provisório e que os comerciantes permanecerão no novo espaço durante cerca de 90 dias, período previsto para a conclusão das obras do mercado definitivo.

A responsável assegurou que o município continuará a criar melhores condições no recinto e apelou à compreensão dos vendedores durante a fase de transição.

No entanto, entre os operadores de transporte semi-colectivo prevalece o descontentamento. Samuel Salvador, motorista de “chapa”, considera que o espaço reservado às viaturas é insuficiente e inadequado para a actividade.

“Chamo-me Samuel Salvador e sou chapeiro há muito tempo. Essa transferência que nos estão a impor não faz sentido. O espaço é pequeno e está cheio de pedras”, afirmou.

Segundo os transportadores, o terreno não tem capacidade para acolher o número de viaturas que diariamente utilizam o terminal, situação que poderá criar dificuldades no embarque e desembarque de passageiros.

Entre os vendedores, as críticas incidem sobretudo sobre a falta de condições básicas. João Mateus lamenta que o município tenha procedido à transferência antes de preparar devidamente o novo espaço.

“Levaram-nos à pressa para um lugar vazio. Hoje perdemos o dia a construir as nossas próprias bancas. Este local tem os mesmos problemas do anterior. Não há casas de banho, não há água, não há nada. Só aparecem para cobrar taxas. Quando chove é lama; quando faz sol é poeira”, queixou-se.

Margarida Silva partilha da mesma opinião e considera que a mudança pouco alterou a realidade vivida pelos vendedores.

“Disseram que saíamos da estrada, mas continuamos na estrada. Só estamos aqui porque temos de obedecer às autoridades. Fazemos as nossas necessidades nas casas de clientes ou no mato porque não existem casas de banho, mas continuamos a pagar taxas”, afirmou.

Apesar das críticas, alguns comerciantes reconhecem aspectos positivos na transferência. É o caso de Maria José, vendedora de roupa, que considera que o novo local oferece maior segurança por estar afastado da berma da estrada.

“Antes vendíamos mesmo junto à estrada e corríamos muitos riscos por causa dos carros. Ainda faltam muitas condições, mas pelo menos estamos num lugar mais seguro. Esperamos que o município cumpra a promessa de melhorar este espaço”, disse.

Embora uma parte dos comerciantes manifeste esperança de que as condições venham a melhorar nos próximos dias, a percepção dominante entre vendedores e operadores de transporte é a de que a transferência foi precipitada. Defendem, por isso, que o município deveria ter concluído as infra-estruturas essenciais antes de remover os comerciantes e reorganizar o terminal.

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