A Sasol canaliza cerca de 75% das despesas que realiza em Moçambique para empresas nacionais, sendo que 30% desse montante corresponde ao chamado “conteúdo localíssimo”, ou seja, contratos adjudicados a empresas da província de Inhambane. Os dados foram avançados pelo economista e delegado provincial da Câmara de Comércio de Moçambique em Inhambane, Bruno Comini, que considera existir margem para aumentar a participação das empresas locais, desde que estas reforcem a sua capacidade técnica e organizacional.
Texto: Anastácio Chirrute
Em entrevista ao Dossier Económico, Comini afirmou que o principal desafio passa por preparar o empresariado local para responder às exigências da indústria de petróleo e gás, um sector que requer elevados níveis de especialização e padrões rigorosos de qualidade.
Apesar dos progressos registados, reconheceu que o empresariado ainda enfrenta limitações para aproveitar plenamente as oportunidades geradas pelos grandes projectos energéticos.
Segundo explicou, a Sasol, por si só, não resolverá o problema do emprego no País, mas pode contribuir para a criação de riqueza que deverá ser canalizada para a industrialização da economia.
“A Sasol não vai, por si só, gerar emprego em massa. O que pode fazer é gerar riqueza que o Governo deve reinvestir para criar indústria. Esse, sim, será o verdadeiro motor do desenvolvimento do País”, afirmou.
Bruno Comini destacou que o próximo desafio consiste em consolidar os 30% de “conteúdo localíssimo” previstos para os próximos projectos, defendendo que o sector privado deve investir no reforço da sua capacidade competitiva.
“Se queremos atingir 90% de conteúdo local a nível nacional e 50% em Inhambane, temos de nos preparar e responder aos critérios exigidos pela cadeia de fornecimento destes projectos”, sublinhou.
Programas de capacitação e financiamento
O economista referiu que a Sasol já iniciou programas de capacitação, formação e certificação dirigidos às micro, pequenas e médias empresas (MPME), sobretudo na zona norte da província.
No âmbito desta iniciativa, mais de 200 MPME participaram em acções de capacitação, das quais 30 integraram um programa de certificação. Destas, oito já obtiveram certificação do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), sendo seis sediadas na província de Inhambane.
Para apoiar o crescimento das empresas, foi igualmente criado um fundo de financiamento disponibilizado através do BCI. Apesar de alguns constrangimentos burocráticos, o mecanismo já desembolsou cerca de 150 milhões de meticais em crédito, com uma taxa de juro bonificada de 11,3%, beneficiando aproximadamente 65 micro, pequenas e médias empresas da província.
Entre os requisitos para aceder ao financiamento constam a formalização da empresa, a actividade regular no mercado e a existência de demonstrações financeiras organizadas.
Bruno Comini defendeu que o aumento da participação das empresas de Inhambane na cadeia de valor do gás dependerá, cada vez mais, da sua capacidade de cumprir os requisitos técnicos, financeiros e de gestão exigidos pela indústria.




