No âmbito da visita de trabalho à província de Tete, o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Fundo Nacional de Energia (FUNAE), Mety Gondola, acompanhou o nível de execução da maior central solar erguida pela instituição no País, com uma capacidade de 750 kW. Quando concluída, a obra promete tirar a localidade de Nkantha da escuridão, reduzir os custos de energia para empresas como a Mercalife Tabaco e atrair mais população e actividade comercial para aquela região.
Texto: Hélio de Carlos, em Tete
Em Tete, onde se localiza a Barragem de Cahora Bassa, a aposta está concentrada em Chifunde, concretamente na localidade de Nkantha, onde está a ser erguida a central que, segundo o PCA, terá uma “potência brutal” de cerca de 750 kW.
“Esta vai ser, seguramente, a central com maior capacidade destas fotovoltaicas que temos estado a estabelecer”, declarou.
A escolha do local justifica-se pelo potencial económico da região, que já conta com um banco, actividade mineira e a presença da Mercalife Tabaco.
“É um ponto onde temos mineração. É um ponto onde temos a Mercalife Tabaco. Eles estão, neste momento, a utilizar fontes de energia que vamos substituir e dar-lhes capacidade de poder funcionar em pleno”, explicou.
Tecnicamente, a central de Chifunde já se encontra numa fase avançada de execução. De acordo com os dados apresentados, a implantação dos postos de média tensão está em cerca de 80%, enquanto os de baixa tensão já atingiram 98%.
Para o PCA, a chegada da energia poderá mudar o perfil da localidade. “Este é um ponto que, no formato em que se encontra, dá-nos garantias de que a actividade comercial vai responder. O uso produtivo de energia vai dar sentido a este investimento que o Estado está a fazer”, perspectivou.
Atrás da meta da universalização
No local da visita, o PCA começou por enquadrar o investimento no plano nacional, recordando que o País já atingiu uma taxa de acesso à energia de cerca de 66% e tem como meta garantir a universalização do acesso até 2030.
“Temos como missão assegurar que a nossa população tenha acesso à energia. Temos estado a avançar bastante nos últimos anos, com um bom ritmo do ponto de vista do acesso a este recurso”, afirmou.
O PCA explicou que o trabalho de expansão do acesso à energia está dividido entre as equipas que actuam dentro da rede da EDM e as que trabalham fora dela, sendo neste segundo eixo que se enquadra a responsabilidade do FUNAE, essencialmente virada para a construção de centrais fotovoltaicas.
“Fazemo-lo com recursos do Governo. Trazemos como prioridade esse avanço, aplicando os recursos que estão disponíveis no Governo, sob várias formas. Mas também temos contado com parceiros”, disse.

Parceria com a Coreia e experiência de Niassa
O dirigente citou como exemplo as três centrais já em funcionamento na província de Niassa, também apoiadas pela Coreia do Sul. Trata-se, nas suas palavras, de centrais que, do ponto de vista do funcionamento, não têm registado muitas perturbações, para satisfação das comunidades beneficiárias.
Mety Gondola reconheceu, porém, que a procura aumenta assim que a energia chega, impondo novos desafios ao Estado. “As populações que estavam mais além vão-se concentrando à volta de onde existem oportunidades, gera-se o comércio, e é normal esta pressão contínua. O que nós temos de fazer é continuar a responder”, afirmou, antes de dar a conhecer que o FUNAE já estuda formas de “dar outra dimensão de resposta ao apelo das comunidades” em Niassa




