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NO TURISMO: Executivo de Inhambane pretende apostar em Golfe, aeroportos e vias de acesso

A província de Inhambane passa a contar, a partir deste ano, com uma Zona Especial de Turismo de Golfe. Tratase de uma iniciativa presidencial cujo objectivo é atrair mais investimentos, acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas turísticas e gerar mais oportunidades de emprego para os jovens e comunidades locais.

Texto: Anastácio Chirrute em Inhambane

Segundo o governador da província de Inhambane, Francisco Manuel Pagula, com o lançamento oficial da Zona Especial de Turismo de Golfe no distrito de Vilankulo, abrese uma nova porta de esperança para os operadores turísticos que há anos enfrentam uma grande crise económica, devido à fraca afluência de turistas.

“Acreditávamos que, se calhar, o golfe é o que faltava para incrementar aquilo que é o nosso status mundial quando se fala de turismo a nível da nossa província”, afirmou. Com esta iniciativa, o Governo espera ver o nível de investimento na província a subir cada vez mais.

Aliás, o governante fez saber que, neste momento, decorrem vários processos, de forma particular, que versam sobre a instalação de infraestruturas de golfe naquela província conhecida como “terra da boa gente”.

“Nós sabemos que o golfe, por si só, atrai as grandes classes económicas. Em outras palavras, quem vai assistir ao golfe é quem tem um poder de compra muito alto. Para nós, isso significa que será mais uma oportunidade de abertura de emprego quando essa componente de golfe se efectivar a nível da província.”

Capacitação e infra-estruturas

Para tornar o golfe ainda mais atraente, há um trabalho que está a ser feito pelas autoridades governamentais, que tem a ver com a capacitação dos agentes reguladores de trânsito em língua inglesa, para melhorarem a sua comunicação com os turistas. Reconhecendo que o turismo depende da qualidade dos serviços prestados pelas companhias aéreas, o Governo admite que ainda há desafios, mas garante que estão a ser envidados esforços, com o Governo Central, para encontrar soluções que revertam o cenário. “

A conectividade aérea é um desafio que temos. Várias são as vezes que temos situações de passageiros que vêm numa conexão de Joanesburgo e depois devem fazer conexão com as Linhas Aéreas de Moçambique para virem a Vilankulo. Muitas vezes, têm de ficar dois dias em Maputo porque houve alteração do voo. Por vezes, chegam a Vilankulo sem passar por Inhambane porque o voo chegou tarde.”

Para o governador, para que a província de Inhambane seja capaz de concorrer com as outras províncias do País no que concerne ao turismo de praia ou de golfe, é necessário acertar os aspectos mínimos.

Outro aspecto considerado urgente e que o Governo provincial tem estado a articular com o nível central é o facto de 70% dos turistas que vêm para a zona sul do País o fazerem por via terrestre. Para Pagula, não faz sentido que o turista seja fiscalizado na fronteira e depois volte a ser parado noutros lugares até chegar ao destino.

“O que nós sugerimos é que o turista que passa por todo o processo na fronteira tenha alguma informação afixada no vidro do seu carro, mostrando que já passou por todo o processo de fiscalização, e só seja parado por questões de álcool ou excesso de velocidade. Isto pode minimizar algumas acções.”

Sobre os aeroportos de Inhambane e Vilankulo, o governante garante que também há um trabalho que o Governo, a nível central, está a fazer na perspectiva de, futuramente, requalificar os dois aeroportos, embora o de Vilankulo ainda esteja a corresponder às expectativas.

“Se queremos ser competitivos, há necessidade de melhorarmos as infraestruturas destes dois aeroportos. Há um trabalho que estamos a fazer com algumas empresas para vermos se criamos alguns shuttles a nível local e também dentro da própria província de Inhambane, para fazermos algumas conexões aéreas.”

A ideia é garantir ligações entre Vilankulo, Inhambane e Zinave, onde existe um turismo do interior adormecido.

“Ninguém, quando vem a Inhambane, tem vontade de conhecer Zinave por conta desta componente da via de acesso, que é um grande desafio para se chegar a Zinave.”

Francisco Pagula explicou que estas acções não competem apenas ao Governo Provincial e dependem do aval do Governo Central para a sua materialização.

Ganhos para a população

Como forma de traduzir estas acções em ganhos para a população, há outro esforço que está a ser empreendido: o treinamento dos pequenos produtores em matéria agrícola e pecuária, para que possam produzir com a qualidade exigida.

“Todos nós sabemos que os maiores empreendimentos turísticos têm as suas exigências, então há necessidade de produzirmos de acordo com aquilo de que os empreendimentos turísticos necessitam.”

Mas, mais do que isso, é necessário que se faça o engajamento das comunidades. Ou seja, é importante “turistificar as mentes”, para que as comunidades possam melhorar a forma como tratam o turista, permitindo que ele volte mais vezes a Inhambane. “Porque se eu, como comunidade, me dirigir mal a qualquer turista, dificilmente ele poderá voltar à província de Inhambane.”

Para que a população se sinta parte integrante do turismo, é importante a criação de mecanismos para que as comunidades sintam quais são os ganhos.

“E nós sentimos que é urgente que se introduza a taxa do turista. É importante que nós, como Governo, possamos fazer a entrega de um sistema de abastecimento de água, de uma unidade sanitária ou de uma estrada pavimentada, dizendo: ‘Isto é fruto da taxa do turista’. Só assim é que as comunidades vão poder perceber que, afinal de contas, há necessidade de conservação, quer ao nível do meio ambiente, quer noutra perspectiva. Porque vão perceber que com este turista que vem, pagase uma taxa e a mesma taxa volta para o benefício das comunidades. Achamos que esta taxa deve ser de gestão local, para que possa resolver os problemas locais.”

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