O secretário-geral da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), Constantino André manifestou a necessidade de haver mais espaço nos órgãos de decisão do partido para a juventude e defendeu mecanismos que garantam a continuidade da sua participação política. A posição foi apresentada esta sexta-feira, em Chimoio durante a décima primeira conferência nacional de Quadros da Frelimo.
Perante o Presidente da Frelimo e da República, Daniel Francisco Chapo, membros da Comissão Política, antigos Presidentes da Frelimo, quadros do partido e convidados, Constantino André colocou a transição geracional entre as principais preocupações da juventude.
“A história da Frelimo é a história da juventude”, afirmou, antes de defender uma mudança concreta no acesso dos jovens aos órgãos do partido.
Segundo o dirigente, a juventude enfrenta actualmente, no seio da Frelimo, uma preocupação que “mina o processo de transição geracional”, propondo a criação de uma “única lista de continuidade jovem”, à semelhança das listas de mulheres e homens no acesso aos órgãos partidários.
Para Constantino André, a medida permitiria consolidar a participação dos jovens nos fóruns de tomada de decisão e preparar a transição geracional.
“Não queremos ser apenas beneficiários do desenvolvimento. Queremos ser protagonistas da transformação do nosso País a todos os níveis”, declarou.
Constantino André reconheceu a importância da experiência dos quadros que participaram na construção do país, mas defendeu igualmente a entrada das novas gerações nos espaços de responsabilidade.
“Experiência e juventude não são adversárias, são forças que devem caminhar juntas. É assim que construímos continuidade, renovação e futuro”, disse.
A posição surge num momento em que a Frelimo realiza a sua XI Conferência Nacional de Quadros, quase dez anos depois da anterior, para a OJM, o encontro deve servir não apenas para discutir os problemas do partido e do país, mas sobretudo para encontrar respostas concretas.
“Uma Conferência de Quadros forte não é aquela em que apenas discutimos problemas ou celebramos conquistas, mas aquela em que, unidos pelo mesmo projecto político, reconhecemos avanços, identificamos desafios e construímos soluções”, afirmou.
A OJM reconheceu igualmente as medidas governamentais destinadas à juventude, incluindo iniciativas de emprego e formação profissional, mecanismos de garantia para facilitar o acesso ao crédito, programas de habitação, terra infraestruturada, Pro-Jovem, MozCommunity e transporte público escolar.
Mas Constantino André reconheceu que os desafios permanecem, “O jovem moçambicano continua a clamar por oportunidades, formação, emprego, espaço para empreender, acesso à tecnologia”, afirmou.
Para responder a estes desafios, a OJM apresentou cinco prioridades, emprego, trabalho e produção; financiamento; formação ligada à economia real; primeira habitação; e confiança, participação e valorização.
Na questão da formação, Constantino André defendeu uma ligação mais estreita entre o ensino e as necessidades da economia, apontando sectores como agricultura, indústria, turismo, energia, mineração, logística e tecnologia.
“Uma boa ideia não pode morrer apenas porque o jovem não possui garantias bancárias”, advertiu, ao defender maior acesso dos jovens ao financiamento.
Constantino André defendeu que os responsáveis do partido, desde o distrito até ao nível central, devem estar nas redes sociais, onde os jovens procuram informação, discutem ideias e expressam as suas preocupações.
“Temos que assimilar a linguagem da juventude para melhor responder os desafios da juventude neste belo Moçambique um país jovem”, afirmou.




