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Criadores de gado bovino pretendem combater o roubo na província de Maputo

Criadores de gado na província de Maputo estão determinados a travar, “a todo custo”, o roubo de bovinos, uma prática que está a prejudicar sobremaneira os produtores. Como resposta ao fenómeno, os criadores apontam para um esforço conjunto de vigilância das cabeças destinadas ao abate ou à venda, como forma de melhorar o controlo sobre a origem dos animais.

Nas contas dos criadores, os seus curais já sofreram um rombo de cerca de 170 cabeças de gado bovino nos últimos anos, uma estimativa referente apenas ao posto administrativo de Catuane, no distrito de Matutuíne. Em larga medida, segundo os produtores, os animais são roubados, transportados e posteriormente baldeados para a vizinha África do Sul.

O Criador Manuel Tembe explica que, a nova estratégia adoptada deverá implicar uma troca constante e permanente de informação entre os criadores e as autoridades veterinárias, tendo em conta que a tramitação da guia para a saída do gado depende do Governo.

“Para nós, o melhor é sempre que, havendo necessidade de abater ou até vender uma cabeça, os associados ou seus representantes estejam presentes, como forma de certificar a origem do animal e evitar dúvidas que surgem devido à onda de roubo”, explica Tembe.

O criador acrescenta que, em algumas ocasiões, o grupo chega a suportar despesas para se deslocar à África do Sul, apontada como um dos principais destinos para onde os animais bovinos são vendidos pelos contrabandistas. Nalguns casos, segundo Tembe, o gado é destinado à criação e, noutros, ao abate.

Num outro desenvolvimento, Manuel Tembe explica que a desconfiança é tanta no seio da comunidade criadora que já existem suspeitas de que estejam inseridos “infiltrados” que interagem com os ladrões, numa troca constante de informação sobre o estado dos curais, a sua localização e os eventuais sistemas de segurança utilizados pelos criadores.

Segundo Tembe, esta alegada colaboração tem como objectivo facilitar a acção dos ladrões e “desgraçar” os criadores, que acabam por ficar vulneráveis perante aqueles que conhecem a localização dos animais e as condições de segurança existentes nos curais.

Tembe revela ainda que os contrabandistas demonstram alguma preferência pelo gado da raça Brahman, considerada uma das melhores existentes na região austral e que possui um potencial particularmente apetecível para os criadores.

A valorização desta raça acaba, assim, por colocá-la na mira dos contrabandistas, que procuram aproveitar-se do seu potencial e do seu valor para alimentar o negócio ilegal de circulação e comercialização de gado.

Perante este cenário, os criadores defendem que o reforço da vigilância e a colaboração entre os próprios produtores e as autoridades são fundamentais para travar o fenómeno, sobretudo numa zona onde o roubo de gado já representa perdas significativas para os criadores.

A aposta passa, essencialmente, por garantir que cada animal que seja vendido ou abatido tenha a sua origem devidamente certificada, reduzindo as possibilidades de que animais roubados sejam introduzidos no circuito legal de comercialização.

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