O Presidente da República, Daniel Chapo, protagonizou esta terça-feira, 01 de Setembro, uma reviravolta pouco comum na história das nomeações presidenciais em Moçambique, ao revogar, em tempo recorde, a nomeação de Waldemar Fernando de Sousa para governador do Banco de Moçambique e substituí-lo por Felisberto Dinis Navalha.
A decisão, comunicada pela Presidência da República, ocorre menos de 24 horas depois de ter sido anunciada a indicação de Waldemar de Sousa para dirigir o Banco Central. O comunicado não detalha as razões que levaram à revogação, limitando-se a referir a existência de “questões supervenientes”.
Certo é que a nomeação de Waldemar de Sousa gerou celeuma na opinião pública, por conta do alegado envolvimento do ex-administrador do Banco de Moçambique no caso das Dívidas Ocultas, do qual chegou a ser constituído arguido em um dos seus processos autónomos.
Pela rapidez e pela disposição do Chefe do Estado em recuar numa decisão de nomeação, o episódio traz à memnória um dos casos mais insólitos da governação de Joaquim Chissano. Em Novembro de 2000, Chissano demitiu Carlos Jeque do cargo de vice-ministro da Juventude e Desportos apenas 48 horas depois de o ter empossado. A decisão ocorreu depois de ter sido descoberto que Jeque havia sido expulso da Administração Pública antes da sua nomeação.
A diferença entre os dois episódios, contudo, é significativa. Chissano chegou a empossar Carlos Jeque antes de voltar atrás, enquanto Chapo travou a nomeação de Waldemar de Sousa antes mesmo de este assumir formalmente as funções.




