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Segunda fase do FDEL continua por desbloquear em Inhambane


Passados três meses desde a submissão das candidaturas à segunda fase do Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), os candidatos da província de Inhambane continuam sem respostas. O silêncio das autoridades e a morosidade do processo geram crescente descontentamento entre os proponentes, que aguardam, sem informação oficial, a publicação das listas dos projectos seleccionados.

Texto: Anastácio Chirrute – Inhambane


Lançado em 2025 pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, o FDEL visa apoiar jovens e mulheres na implementação de iniciativa geradoras de rendimento. A primeira fase, realizada entre Novembro e Dezembro do ano passado, com extensão até Janeiro deste ano, foi considerada um sucesso, ainda que os montantes disponibilizados nos distritos tenham ficado aquém das expectativas, obrigando muitos proponentes a rever os seus orçamentos.

A segunda fase, porém, tem sido marcada pela demora. As candidaturas foram entregues em Maio último e, desde então, as autoridades mantêmse em silêncio, sem prestar qualquer esclarecimento público sobre o andamento do processo.

Expectativas suspensas

Jilson Rodrigues, residente na cidade de Maxixe, é um dos muitos jovens que depositaram no FDEL a esperança de uma oportunidade de trabalho. Licenciado há três anos, continua sem emprego e viu no Fundo uma possibilidade de mudar de vida.

“Submeti o meu projecto em Maio deste ano. Até hoje ainda não saíram as listas dos candidatos apurados. O que me preocupa mais é o silêncio das autoridades. Ao menos podiam informar publicamente sobre o decurso do nosso processo”, lamenta.

Filomena Vilanculos partilha da mesma angústia. Aguarda o financiamento para abrir um negócio de produção de alimentos, com o objectivo de contribuir para a redução da insegurança alimentar na província e garantir o seu sustento e o da sua família.

“Se o projecto for aprovado, pretendo abrir um negócio de produção de comida para ajudar a minha província a minimizar a insegurança alimentar”, afirma.

 Frustração e consequências sociais

A demora na resposta tem gerado um sentimento de profunda frustração entre os candidatos. Em alguns casos, o desespero já terá levado a desfechos trágicos. Há relatos de jovens que, perante a falta de perspectivas, acabaram por se envolver no consumo de drogas e na prática de crimes.

Marcos Matsimbe, residente no distrito de Homoíne, recorda com tristeza o seu melhor amigo, que submeteu um projecto de criação de frangos ao Conselho Municipal local e aguardava apenas a aprovação. Cansado da espera, o jovem terá tirado a própria vida.

Abilar da Fosseca, por seu turno, confessou ter ponderado o suicídio. Com dívidas contraídas com agiotas para alimentar vícios, viu no FDEL a única saída para liquidar os valores em atraso. A demora na selecção dos projectos levou-o a considerar desistir da vida, mas a intervenção de um familiar evitou o pior.

“Eu fiquei pressionado pelos agiotas. Pedi emprestado um valor para alimentar os meus vícios. Vendi tudo o que tinha para diminuir parte da dívida, mas não foi suficiente. Quando ouvi que os outros estavam a submeter projectos, fui a correr e juntei toda a documentação. Mas o processo está a ser muito lento. Desde que nos mandaram aguardar até hoje não houve nenhuma novidade. Cheguei a pensar em tirar a própria vida. O plano não deu certo porque o meu irmão chegou e encontrou-me ainda a tentar amarrar a corda no barrote da casa”, relatou.

Contexto de crise

A demora na disponibilização da segunda fase do FDEL insere-se num quadro mais amplo de dificuldades económicas que afectam o País há vários anos. A falta de perspectivas de emprego e a precariedade financeira têm agravado a situação de muitos jovens, que, se devidamente apoiados, poderiam contribuir para o desenvolvimento económico da província de Inhambane e do país.

As autoridades competentes, entretanto, continuam em silêncio, sem prestar informações oficiais sobre os critérios de selecção, o calendário de divulgação dos resultados ou as razoes para a morosidade do processo.

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