O Presidente da República, Daniel Chapo lançou um desafio directo à juventude moçambicana, a assumir o protagonismo na nova etapa da construção nacional, tendo como principal frente de batalha a conquista da independência económica. O Estadista falava nas celebrações dos cinquenta e dois anos depois da assinatura dos Acordos de Lusaka.
Falando esta segunda-feira na Praça dos Heróis, em Maputo, durante a cerimónia de deposição de flores alusiva ao Dia da Vitória, Chapo estabeleceu um paralelo entre os jovens da Geração 25 de Setembro, que participaram na luta de libertação nacional, e a actual geração, que, segundo afirmou, deve assumir a responsabilidade de construir a prosperidade do País.
“A vossa luta deve ser de conhecimento, luta da ciência, de tecnologia, de produção e de empreendedorismo para transformação económica de Moçambique”, declarou o Chefe do Estado, dirigindo-se particularmente aos jovens.
Jovens no centro da economia
Na sua intervenção, o Presidente defendeu uma economia mais competitiva e com maior participação de empresas nacionais, sublinhando a necessidade de os jovens ocuparem uma posição mais relevante nas cadeias de valor.
“Queremos empresas moçambicanas capazes de competir em pé de igualdade com as estrangeiras”, afirmou, acrescentando que os jovens devem participar mais nas cadeias de valor, por constituírem uma prioridade da governação.
A visão apresentada passa por construir uma economia “cada vez mais moçambicana”, produtiva e competitiva, capaz de responder às necessidades da população e de se afirmar tanto no mercado nacional como nos espaços regional e global.
Para o Presidente, esta transformação económica não pode ser dissociada da criação de oportunidades para a juventude, o desafio colocado é, portanto, transformar a energia e a criatividade dos jovens em capacidade produtiva, empresarial e tecnológica.
“Não esperaram que alguém construísse o futuro”
Ao falar aos jovens, Chapo recuperou a trajectória dos combatentes da luta de libertação, lembrando que muitos dos heróis homenageados na Praça dos Heróis tinham idades próximas das actuais gerações quando decidiram envolver-se na luta contra o colonialismo.
“Eles não esperaram que alguém construísse o futuro por eles. Eles próprios decidiram construir esse futuro. É essa atitude que esperamos da actual juventude moçambicana”, disse.
Contudo, deixou claro que os desafios da actualidade exigem instrumentos diferentes. A juventude, segundo o Presidente, não deve ser mobilizada para a violência, manipulação ou discursos de ódio.
A nova batalha deve ser travada nas salas de aula, universidades, centros de investigação, empresas, campos de produção e iniciativas de empreendedorismo.
De 93% de analfabetismo ao desafio da prosperidade
Para sustentar a ideia de que Moçambique percorreu um longo caminho desde a independência, Chapo apresentou vários exemplos relacionados com educação, saúde e energia.
Segundo o Presidente, em 1975, cerca de 93% da população moçambicana não sabia ler nem escrever, enquanto o País contava apenas com uma universidade e duas escolas secundárias.
Hoje, afirmou, existem escolas secundárias em todos os distritos, várias instituições de ensino superior e um número muito maior de profissionais formados, incluindo médicos.
A evocação das conquistas serviu para reforçar a mensagem de que o próximo desafio deve ser transformar os avanços alcançados em capacidade económica e melhores condições de vida.
Chapo defendeu que as futuras gerações devem olhar para o actual período histórico e reconhecer que, tal como a Geração 25 de Setembro conquistou a independência nacional, a geração pós-independência conseguiu conquistar a independência económica.
Segurança como condição para investir
Outro eixo destacado no discurso foi a relação entre segurança e desenvolvimento. Chapo argumentou que não é possível construir uma economia dinâmica num ambiente marcado pelo medo e pela instabilidade.
“Nós não podemos construir fábricas onde existe insegurança. Não podemos aumentar a produção onde existe medo. Não podemos atrair investimento onde não existe estabilidade”, afirmou.
Neste contexto, destacou os esforços das Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo em Cabo Delgado e valorizou particularmente o papel dos jovens que integram as forças de segurança.
O Presidente afirmou ainda que o Governo pretende um Moçambique livre de raptos, terrorismo, branqueamento de capitais e tráfico de drogas, considerando a paz e a estabilidade fundamentais para a construção da independência económica.
Veteranos também entram na nova batalha
Na cerimónia, Chapo anunciou igualmente uma medida destinada aos Combatentes da Luta de Libertação Nacional. Segundo comunicou, o Governo decidiu reservar, a partir deste ano, 10% dos projectos do sector da Agricultura para os veteranos da luta de libertação, em todo o País.
A medida, explicou, pretende permitir que aqueles que participaram na libertação da terra e do povo possam também contribuir para o seu desenvolvimento económico sustentável.




