Após apresentar, na 60.ª edição da FACIM, as potencialidades agrícolas da província, com destaque para a instalação de um centro de viveiros de grande escala na Moamba, a Direcção Provincial da Agricultura e Pescas (DPAP) volta este ano à feira com uma nova aposta: a produção de alevinos para impulsionar a piscicultura. Com a Mucapane Fish, empresa sediada em Mucapane, distrito da Moamba, no centro da iniciativa, o Governo provincial pretende reduzir a dependência de outras regiões, aumentar a produção de tilápia e transformar a piscicultura numa fonte de rendimento para centenas de famílias.
Texto: Milton Zunguze
Em entrevista exclusiva ao Dossier Económico, o director provincial da Agricultura e Pescas, Paulo Cossa, explicou que a produção local de alevinos – pequenos peixes destinados ao povoamento dos tanques e gaiolas de produção – representa uma oportunidade para dinamizar toda a cadeia da piscicultura na província.
“Todos os anos, eu tenho que trazer alguma coisa que seja nova na província”, afirmou Cossa, justificando a aposta deste ano na FACIM.
A escolha recaiu sobre a Mucapane Fish, que, segundo a DPAP, se tornou a primeira empresa da província a produzir comercialmente alevinos.
“Trouxemos um produto que, a nível da província, ainda não tínhamos, que são alevinos”, explicou o dirigente, sublinhando que o fornecimento regular destes peixes é essencial para aumentar a produção de tilápia.
Acabar com a espera de meses
Durante anos, os piscicultores da província de Maputo que pretendiam iniciar ou expandir a produção tiveram de recorrer a outras regiões do País para obter alevinos, sobretudo Gaza e Inhambane. “Anteriormente, os nossos pescadores e piscicultores iam buscar alevinos em Bilene, em Chókwè e Inhambane”, recordou Paulo Cossa.
A distância, contudo, traduzia-se em longos períodos de espera. “Às vezes, demorava muito tempo, três, quatro meses, para fazer encomendas”, revelou.
É neste contexto que surge a Mucapane Fish, com uma capacidade estimada de 50 mil alevinos por mês. Embora o volume ainda esteja longe de cobrir toda a procura, a produção local representa, segundo a DPAP, um passo importante para reduzir os constrangimentos enfrentados pelos produtores.
Para aproximar o fornecedor dos piscicultores e reduzir os custos, a DPAP e a Mucapane Fish assinaram um memorando de entendimento que prevê, entre outras medidas, o fornecimento preferencial de alevinos aos produtores da província, com um desconto de 10%.
Da gaiola ao mercado
A aposta nos alevinos está associada a uma estratégia mais ampla de massificação da produção de tilápia através de gaiolas flutuantes. Paulo Cossa revelou que o projecto já foi apresentado ao Governo provincial e deverá beneficiar do envolvimento da Mucapane Fish.
“Há três semanas, apresentámos, a nível do Conselho Executivo, um projecto de massificação da produção de peixe tilápia em gaiolas”, afirmou.
O projecto conta com apoio financeiro de parceiros de cooperação, no valor de cerca de 64.285 euros, destinado à construção de infra-estruturas e ao reforço da cadeia produtiva.
Está prevista a construção de 35 novas gaiolas flutuantes, das quais 10 serão financiadas pelo Orçamento do Estado. Até ao momento, já foram construídas 16 gaiolas, estando a iniciativa a abranger os distritos da Moamba, Boane e Namaacha.
O projecto prevê igualmente o fornecimento de cerca de 200 mil alevinos, além de apoio em alimentação e ração. A Mucapane Fish deverá desempenhar um papel central na implementação da iniciativa, incluindo na transferência de tecnologia para os produtores.
“A Mucapane é que vai criar este processo de transferir tecnologia, construção de gaiolas, fornecimento de alevinos a preços bonificados para os nossos piscicultores”, explicou Cossa.
À Direcção Provincial caberá sobretudo facilitar o processo e aproximar os diferentes intervenientes.

Uma pequena produção para um grande mercado
A dimensão do mercado da província de Maputo, que inclui a própria cidade de Maputo, abre perspectivas para o crescimento da actividade, mas o desafio ultrapassa as fronteiras provinciais.
A produção de alevinos continua limitada e concentrada em poucos pontos do país, o que exige maior articulação entre as províncias.
“Nós não podemos trabalhar de forma isolada”, advertiu Paulo Cossa, defendendo o reforço da ligação entre Maputo, Gaza e Inhambane para garantir um fornecimento regular de alevinos enquanto a capacidade de produção local é ampliada.
Para o dirigente, o desenvolvimento da piscicultura poderá criar novas oportunidades de rendimento para os produtores e contribuir para aumentar a disponibilidade de peixe no mercado.




