– Análise é de Enoque Massingue´
A sucessão na liderança do Banco de Moçambique, marcada pela nomeação de Waldemar de Sousa e posterior revogação em menos de 24 horas, representa um “duplo golpe” à credibilidade da instituição, considera o economista Enoque Massingue, para quem o episódio expôs falhas no processo de escolha e verificação de antecedentes de candidatos a cargos de elevada responsabilidade.
Texto: Clara Mulima
O primeiro golpe, segundo Massingue, resulta da nomeação de Waldemar de Sousa para Governador, apesar de este ser arguido no processo das Dívidas Ocultas. O segundo decorre da forma como a decisão foi revertida menos de 24 horas depois, numa reviravolta que, na sua leitura, expôs fragilidades nos mecanismos de avaliação e criou uma percepção de instabilidade no topo da autoridade monetária.
“Este episódio é um erro grave de due diligence, corrigido tardiamente sob pressão pública”, afirma o economista, questionando também a explicação oficial de “questões supervenientes” para justificar a revogação. Para Massingue, tratando-se de um processo judicial público desde 2020, a informação deveria ter sido considerada durante a avaliação do candidato. A dimensão do problema ultrapassa, na sua perspectiva, as fronteiras nacionais.
Massingue cita uma avaliação da consultora britânica Oxford Economics, que classificou o episódio como “embaraçoso” e considerou que o mesmo levanta “sérias questões” sobre a credibilidade do Presidente da República. O economista alerta que este tipo de turbulência pode afectar a confiança dos investidores e parceiros internacionais, numa altura em que o Banco de Moçambique enfrenta desafios como a pressão cambial, a inflação, o custo do crédito e a escassez de divisas.
A incerteza pode ainda elevar a percepção de risco do país e encarecer o financiamento para o Estado e para as empresas. Massingue defende, por isso, que a escolha do Governador não deve limitar-se à competência técnica. Integridade, experiência institucional, independência política e ausência de conflitos de interesse devem igualmente fazer parte dos critérios de avaliação, acompanhados por uma verificação rigorosa dos antecedentes dos candidatos.
Entre os desafios imediatos do novo Governador está a escassez de divisas, que tem afectado particularmente o sector empresarial. Massingue defende um diagnóstico transparente do mercado cambial e medidas que melhorem o acesso das empresas às divisas. Aponta também para o crescimento da dívida pública interna, estimada em 538,3 mil milhões de meticais, defendendo que esta não deve retirar espaço ao financiamento do sector privado. Apesar das críticas ao processo, Massingue considera positiva a escolha de Felisberto Dinis Navalha, por representar uma aposta na continuidade institucional.
Com uma carreira iniciada no Banco de Moçambique em 1996, Navalha passou por áreas como estudos económicos e estatística e participou nos trabalhos do Comité de Política Monetária. Para o economista, a experiência de Navalha poderá facilitar uma transição sem rupturas na condução da política monetária. No curto prazo, não são esperadas grandes alterações, tendo questionando também a explicação oficial de “questões supervenientes” para justificar a revogação.
Para Massingue, tratando-se de um processo judicial público desde 2020, a informação deveria ter sido considerada durante a avaliação do candidato. A dimensão do problema ultrapassa, na sua perspectiva, as fronteiras nacionais. Massingue cita uma avaliação da consultora britânica Oxford Economics, que classificou o episódio como “embaraçoso” e considerou que o mesmo levanta “sérias questões” sobre a credibilidade do Presidente da República.
O economista alerta que este tipo de turbulência pode afectar a confiança dos investidores e parceiros internacionais, numa altura em que o Banco de Moçambique enfrenta desafios como a pressão cambial, a inflação, o custo do crédito e a escassez de divisas. A incerteza pode ainda elevar a percepção de risco do país e encarecer o financiamento para o Estado e para as empresas.
Massingue defende, por isso, que a escolha do Governador não deve limitar-se à competência técnica. Integridade, experiência institucional, independência política e ausência de conflitos de interesse devem igualmente fazer parte dos critérios de avaliação, acompanhados por uma verificação rigorosa dos antecedentes dos candidatos.
Entre os desafios imediatos do novo Governador está a escassez de divisas, que tem afectado particularmente o sector empresarial. Massingue defende um diagnóstico transparente do mercado cambial e medidas que melhorem o acesso das empresas às divisas. Aponta também para o crescimento da dívida pública interna, estimada em 538,3 mil milhões de meticais, defendendo que esta não deve retirar espaço ao financiamento do sector privado.
Apesar das críticas ao processo, Massingue considera positiva a escolha de Felisberto Dinis Navalha, por representar uma aposta na continuidade institucional. Com uma carreira iniciada no Banco de Moçambique em 1996, Navalha passou por áreas como estudos económicos e estatística e participou nos trabalhos do Comité de Política Monetária.
Para o economista, a experiência de Navalha poderá facilitar uma transição sem rupturas na condução da política monetária. No curto prazo, não são esperadas grandes alterações, tendo em conta que o Banco de Moçambique manteve a taxa MIMO em 9,25% em Julho. O desafio será preservar a estabilidade de preços sem dissociá-la das necessidades de crescimento da economia.
A independência do Banco de Moçambique é outra preocupação. Massingue entende que a forma como ocorreu a sucessão alimenta a percepção de interferência política na autonomia da autoridade monetária. Embora considere positiva a escolha de um técnico de carreira, sustenta que a condução do processo revelou vulnerabilidades institucionais que precisam de ser corrigidas.
Para recuperar a confiança, o economista recomenda que Navalha concentre os primeiros esforços no reforço da credibilidade institucional, na melhoria do funcionamento do mercado cambial e na previsibilidade da política monetária. Defende ainda processos mais rigorosos de verificação de antecedentes e conflitos de interesses nas nomeações para cargos estratégicos do Estado.




