Mais de 325 mil alevinos e cerca de 18 toneladas de ração foram entregues esta sexta-feira (11), no distrito de Marracuene, aos piscicultores do sector familiar dos distritos de Marracuene, Matutuíne, Boane e do município da Matola, numa iniciativa destinada a relançar a produção de pescado afectada pelas cheias.
A iniciativa é promovida pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura (IDEPA), em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito do projecto “Construindo Resiliência na Zona Costeira através de abordagens de Adaptação Baseada em Ecossistemas (EbA) na Área do Grande Maputo”.
Falando durante a cerimónia de entrega, o representante da FAO, José Fernandes, afirmou que o apoio pretende contribuir para o reforço da segurança alimentar e nutricional e para a criação de fontes sustentáveis de rendimento para as comunidades que dependem dos recursos naturais.
Segundo Fernandes, Moçambique, devido à sua extensa linha costeira e disponibilidade de recursos hídricos, possui elevado potencial para desenvolver a aquacultura como instrumento de resiliência económica, alimentar e climática.
“A aquacultura sustentável surge como uma forma de diversificar rendimentos, reduzir a pressão sobre os recursos naturais e reforçar a segurança alimentar das populações mais vulneráveis”, afirmou.
O responsável destacou que a intervenção ocorre num contexto em que as alterações climáticas estão a aumentar os riscos enfrentados pelas comunidades costeiras, com impactos que vão desde a redução das capturas de pesca até à degradação dos ecossistemas marinhos e fluviais.
Fernandes explicou ainda que a disponibilidade de alevinos e ração de qualidade continua a constituir um dos principais desafios para o desenvolvimento da aquacultura no país. Neste contexto, os insumos disponibilizados aos produtores da região do Grande Maputo foram produzidos na própria província de Maputo, contribuindo, segundo a FAO, para o reforço da capacidade produtiva local.
Os dois insumos representam cerca de 80% dos custos totais de produção, enquanto os restantes 20% correspondem às infra-estruturas construídas pelos próprios produtores através dos seus esforços individuais.
A FAO considera que o apoio não deve limitar-se à distribuição de alevinos e ração, defendendo uma abordagem integrada que envolva toda a cadeia de valor da aquacultura. Neste sentido, o projecto contempla igualmente acções de processamento adequado do pescado, capacitação em gestão financeira e organização dos produtores em estruturas associativas.




